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Semana de loucos para um sexagenário

Esta semana está a ser demasiado intensa para um sexagenário. Às vezes esqueço-me que a idade já pesa e meto-me em aventuras e aceito propostas de atividades como se tivesse menos 20 anos. Tertúlias, jogos de futsal com gente bem menos idosa, uma entrevista na EPATV, comentários desportivos na RVN e… este artigo. Ainda acresce, obviamente, a lecionação na ESVV bem como o cumprimento das diferentes tarefas de DT, Coordenador DE e Provedor da Disciplina. 

Tudo começou com o convite do Ricardo Cerqueira, coordenador da formação do Gil Vicente, para, na companhia de José Mário Cachada, embaixador da Ética do Desporto e distinto colega de curso, conversar com encarregados de educação dos atletas da formação gilista. O tema - “Ética no Desporto: o papel das famílias e dos contextos desportivos na formação de atletas.” 

Deixando as questões éticas mais ao cuidado do meu colega e especialista, procurei lembrar aos pais - sem os quais o futebol de formação não existe - o que devem valorizar e como atuar perante determinadas circunstâncias. Alertei para a importância de aceitar o erro como parte indispensável da aprendizagem, porque é a errar «cada vez melhor» que se aprende. Também os pais podem errar, mas devem procurar corrigir-se: educar, no desporto, como na vida, é acompanhar, orientar e… ser exemplo, pois nunca podem esquecer que os seus educandos são, antes de mais, crianças e/ou jovens em crescimento e em (trans)formação.

Na ESVV, tenho um grupo de Desporto Escolar, que inclui atividades com a comunidade escolar. Na terça-feira, após as aulas, e após um intenso 2 x 2 em Voleibol, juntámo-nos para um encontro de futsal, integrando docentes, assistentes operacionais e ex-alunos. Não praticava a modalidade há dois anos pelo que, ainda hoje, sinto dores em músculos e articulações, cuja existência estava esquecida. Andar de bicicleta, sentado, cansa bem menos!

Com o Copenhaga para «estudar», para comentar o jogo do SC Braga na RVN, surgiu ainda o convite do amigo Marco Alves para uma entrevista na EPATV, onde também lecionei há muitos anos. Foi ocasião para recordar o meu percurso profissional e pessoal no ensino e no desporto da região.

Falámos das 4 décadas em escolas do concelho; de atividades que ajudei a criar na ESVV, como o Cicloturismo e o Caminho de Santiago; do meu passado como treinador e coordenador da formação do SC Braga. Recordámos também o livro FUT360L – da Pereira à Pedreira, publicado em 2020 e que, infelizmente, continua atual em muitas das críticas ao «que ainda verificamos» no futebol de formação. Revisitar quatro décadas de experiências em diferentes áreas, não foi fácil, pois obrigou-me a recorrer à memória RAM - Recordações Antigas do Mangas - já com o respetivo desgaste acumulado a fazer-se sentir.

Por fim, saída para os estúdios da RVN, para comentar o Copenhaga-SC Braga, com o jogo a começar à hora em que este artigo tem de seguir para o Diário do Minho. Espero, embora não esteja muito confiante, que a exibição e o resultado me permitam considerar que a cansativa semana, afinal, pode terminar em beleza, se lhe acrescentarmos ainda, tempo para um passeio regenerativo de duas ou três dezenas de quilómetros de bicicleta, no sábado.


 

Carlos Mangas

Carlos Mangas

16 outubro 2026