O litoral do Minho integra um dos grandes corredores europeus de cicloturismo, uma rota que acompanha a costa atlântica e liga Portugal ao Norte da Europa, num percurso de cerca de 11 mil quilómetros, que atravessa seis países.
O projeto AtlanticOnBike – EuroVelo 1 pretende afirmar o cicloturismo como motor de desenvolvimento económico, valorização do património e turismo sustentável, acarretando oportunidades importantes para a costa minhota.
Com um investimento superior a 5,1 milhões de euros, dos quais cerca de 3,9 milhões financiados por fundos europeus do programa Interreg Espaço Atlântico, gerido pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, com sede no Porto, a Rota da Costa Atlântica é finalista dos prémios RegioStars, na categoria “Uma Europa Conectada”, cuja votação do público está a decorrer até quarta-feira.
As primeiras discussões tiveram lugar em 2013, em Bayonne, França, quando agentes ligados ao turismo de bicicleta identificaram a oportunidade de valorizar os recursos naturais e culturais associados à costa atlântica. O objetivo era fazer da EuroVelo 1 um destino de referência para os cicloturistas, promovendo simultaneamente o desenvolvimento das economias locais.
O projeto mobilizou 21 parceiros de seis países – Noruega, Reino Unido, Irlanda, França, Espanha e Portugal –, aos quais se juntou a Federação Europeia de Ciclistas (ECF), sediada na Bélgica.
«Houve uma vontade de envolver o máximo de parceiros correspondentes aos países e regiões atravessadas, para que a criação de um produto cicloturístico na EuroVelo 1 pudesse representar toda a rota, de forma contínua», afirma a responsável pelo EuroVelo na Federação Europeia de Ciclistas, Florence Grégoire.
Entre as principais realizações do projeto, destacam-se a elaboração de uma metodologia europeia de análise do impacto económico, acompanhada pela criação de uma plataforma transnacional de partilha de dados e tratamento de informação; a elaboração de uma estratégia transnacional de marketing turístico, com a criação de produtos turísticos comuns; e a publicação de documentos úteis para a promoção do itinerário, nomeadamente um mapa esquemático, um dossiê de imprensa destinado aos órgãos de comunicação social e uma identidade visual.
Foram também efetuadas avaliações da rota segundo a Norma Europeia de Certificação ao longo de uma grande extensão da rota na Irlanda, em França, em Espanha e em Portugal. O projeto permitiu igualmente a criação de uma rede de «cidades embaixadoras EuroVelo 1», destinada a favorecer o desenvolvimento de políticas locais a favor da bicicleta e do turismo de bicicleta.
A responsável sublinha que «foi investido muito trabalho na criação de uma identidade comum». «O itinerário é diversificado, mas tem também uma temática comum muito forte: a costa atlântica. Reconhecer que esta temática marítima é o que une as realidades de tantos países muito diferentes é a ideia por detrás do slogan da rota: “Tão única, tão diversa”», explica.
O projeto inicial, previsto para 2017-2020, acabou por ser prolongado para 2022-2023, permitindo reforçar esta identidade comum, cobrir pela primeira vez a totalidade do itinerário com um parceiro nacional em cada país e desenvolver ferramentas comuns de promoção entre a Noruega e Portugal.
Foi possível implementar um novo Planeador da Rota EuroVelo e e publicar manuais destinados aos parceiros encarregues do desenvolvimento da rota, referentes à sinalização dos itinerários e à instalação de áreas de descanso.
A metodologia desenvolvida no âmbito do projeto permitiu estimar que cerca de 10,5 milhões de ciclistas utilizam anualmente a EuroVelo 1, gerando pelo menos 198 milhões de euros em receitas anuais ao longo do itinerário. Estas despesas beneficiam diretamente os alojamentos, restaurantes, cafés, estabelecimentos de comércio de proximidade, empresas de aluguer de bicicletas e sítios turísticos situados nas proximidades da rota. «O cicloturismo contribui igualmente para prolongar a época turística e atrair visitantes a territórios menos conhecidos», acrescenta.
Florence Grégoire diz que «uma das ambições do AtlanticOnBike era fazer da EuroVelo 1 uma espinha dorsal turística a partir da qual se pudessem desenvolver experiências que associassem bicicleta, património, gastronomia, cultura e natureza». No Minho, isso poderia «passar pela criação de circuitos locais ligados ao itinerário principal, por uma melhor sinalização dos pontos de interesse, bem como pelo desenvolvimento e promoção de produtos turísticos que combinem várias atrações regionais».
A EuroVelo 1 é a rota mais longa da rede EuroVelo, constituída e 1997 e composta atualmente por 17 circuitos, que ultrapassam os 92 500 quilómetros de extensão por toda a Europa. O relatório de 2026 sobre o estado de desenvolvimento destas rotas classifica a EuroVelo 1 – Atlantic Coast Route em quinto lugar quanto ao nível de desenvolvimento geral, com 77% do percurso desenvolvido. «Note-se que as quatro rotas no topo da classificação são muito mais curtas e se juntaram à rede EuroVelo mais recentemente. Atingir um elevado nível de desenvolvimento numa rota tão longa como a EuroVelo 1 é mais difícil do que numa rota de extensão bastante inferior», ressalva.
Rota promove coesão territorial e dinamiza a economia local

O vogal da Autoridade de Gestão do Interreg Espaço Atlântico, João Marrana, considera que a integração do Litoral Norte de Portugal na EuroVelo 1 «demonstra com clareza o impacto real dos fundos europeus na coesão territorial». «Esta ligação não representa apenas a existência de um itinerário ciclável, mas também a inclusão da região num corredor internacional de turismo sustentável», afirma.
O responsável destaca que «esta ligação transnacional ao Norte da Europa dinamiza a economia local, combate a sazonalidade turística, promove a sustentabilidade através do recurso aos modos de transporte suaves, valoriza o património do Atlântico e reforça a visibilidade internacional do Norte de Portugal enquanto destino sustentável e acessível».
Em seu entender, a nomeação da EuroVelo 1 como finalista dos prémios RegioStars «é o reconhecimento do mérito da cooperação transnacional entre os parceiros do Espaço Atlântico. Demonstra que o investimento feito pelo programa Interreg Espaço Atlântico, com o apoio do FEDER, gera valor transformador e replicável para o desenvolvimento sustentável das regiões costeiras».
«Conquistar o prémio RegioStars significaria o reconhecimento, ao mais alto nível europeu, da excelência deste projeto. Para o futuro da rota, esta distinção proporcionaria uma projeção internacional acrescida, consolidando a EuroVelo 1 – Atlantic Coast Route como um modelo de referência na Europa, impulsionando novas parcerias estratégicas e garantindo a sustentabilidade e a expansão do itinerário a longo prazo», declara.
Os Prémios RegioStars incluem a categoria “Escolha do Público”, na qual este projeto está a concurso, sendo que a votação decorre até às 11h00 da próxima quarta-feira. A votação pode ser feita aqui. A decisão do júri e a votação do público vão ser tornadas públicas na quarta-feira ao fim da tarde, numa cerimónia integrada na Semana das Regiões, em Bruxelas.