Os dias em Braga correm debaixo de uma agitação generalizada, no que ao futebol diz respeito, porque a equipa de Carlos Vicens tem revelado uma incapacidade de dar um passo em frente, tanto ao nível dos resultados como do futebol apresentado, que deixa os adeptos braguistas deveras preocupados.
Esta é já a segunda temporada consecutiva de Carlos Vicens em Braga, o que faria prever que o processo em desenvolvimento permitisse integrar rapidamente as alterações verificadas e que os novos elementos do plantel assimilassem as ideias sem dificuldades acrescidas, evitando a perda prematura de pontos que pudesse comprometer o resto da temporada na Liga Portugal. Pura ilusão, porque as dificuldades têm sido muitas e a resposta tem ficado aquém do exigível, sendo vários os jogos em que os pontos voam sem que ninguém os consiga segurar.
A pausa prolongada para os compromissos das seleções parecia uma boa janela de oportunidade para trabalhar a equipa e recuperar alguns elementos que davam sinais preocupantes de cansaço, por se tratar de uma fase tão precoce da temporada.
A equipa técnica de Carlos Vicens perdeu um elemento no início da época, quando Antonio Gómez se mudou para o Arsenal, de Londres. A perda não parecia significativa e foi recrutado outro elemento para o seu lugar, estando aparentemente garantida a continuidade do trabalho. Muitos adeptos nem se aperceberam dessa alteração e todos estavam longe de imaginar que ela pudesse ter consequências tão nefastas. A equipa bracarense tem revelado vários problemas físicos e alguns jogadores demonstram um cansaço excessivo para esta fase da temporada. Há mesmo atletas que parecem uma sombra do que já foram, sendo evidente a condição física deficitária que apresentam. É caso para dizer: «Chamem o Antonio!», porque a equipa anda a arrastar-se fisicamente.
As bancadas da Pedreira atravessam uma fase de descrença na equipa, que não tem sido capaz de inverter o rumo negativo até agora observado. Parece estar a caminhar-se, de novo, para um fosso inaceitável em relação aos lugares do pódio, enquanto o ânimo anda por níveis muito baixos. Sinceramente, não sei qual será a melhor solução, mas, se os resultados e as fracas exibições continuarem, muita coisa vai tremer em Braga, porque a paciência tem limites.
Uma nota final para ilustrar bem o que é o futebol. O SC Braga perdeu por 1-3 na receção ao Sporting CP, depois de ter chegado ao intervalo em vantagem. A reentrada em jogo foi forte e a vantagem não foi ampliada por ineficácia e porque a arbitragem, com João Pinheiro no relvado e Manuel Mota no VAR, sonegou um penálti claro aos bracarenses nessa fase. Uma decisão que poderia ter duplicado a vantagem e ajudado a escrever um guião completamente diferente para o desfecho da partida. Foi um erro grosseiro que não se pode aceitar, embora isso não ilibe a equipa da responsabilidade pelo que deixou de fazer posteriormente para alcançar um resultado positivo.