O SC Braga anunciou esta semana a saída do treinador principal de Futebol, juntamente com toda a equipa técnica, depois de uma derrota num jogo marcado pela contestação dos adeptos, e após uma série de jogos sem sucesso no resultado e, podemos dizer, também na forma como foram disputados. O clube já tem sucessor e grupo de trabalho, a quem se deseja sucesso, como tem sido a história recente dos seus treinadores e equipas técnicas.
Por princípio, e nomeadamente por formação pessoal e profissional, resisto sempre à tentação de afastar treinadores de projetos desportivos. Defendo que um projeto precisa de tempo, de estabilidade e de uma ideia que se consolide para lá dos resultados de curto prazo. Mudar de treinador às primeiras crises é quase sempre admitir que não havia um projeto globalmente bem estruturado, apenas a esperança de que o resultado resolvesse o resto. Reconheço que, neste caso, a decisão me parece acertada.
Houve um tempo em que acreditei. O modelo de jogo, muito ao estilo do que popularizou as equipas do Barcelona, parecia poder fazer a diferença, mas já na época passada tinha mostrado inconsistências, muitas vezes resolvidas de forma individual por alguns jogadores diferenciados. Mas desde o início da época o que vimos foi um futebol sem balizas. O jogo assentou na procura da posse de bola e num bom controlo por parte da maioria dos jogadores, mas sem criar um volume de oportunidades que aumentasse a probabilidade de marcar golos. Um jogo sem plano B em caso de desvantagem, sem perfis de jogadores e sem posicionamentos que permitissem finalizar de outra forma que não fosse em espaços curtos e junto à linha de golo. E, acrescento, um jogo aborrecido, que não se pode considerar espetáculo de massas, como hoje se exige ao futebol profissional, e a uma Liga como a portuguesa.
O novo treinador herda agora uma estrutura pensada para um jogo que nasceu na cabeça do treinador anterior e que não deu resultado esta época, nem a nível nacional nem nos desafios internacionais. O seu desafio é construir aos poucos um modelo mais flexível, que tire o melhor dos jogadores que o Braga tem, limite as oportunidades dos adversários e volte a criar uma avalanche de oportunidades e de golos, como vimos com os treinadores que o antecederam. Não se trata de abandonar o controlo do jogo através da bola, mas de não se ficar por aí. Importa perceber que jogar bem, no futebol, é também chegar à baliza com frequência, com perigo e de diferentes formas, e sobretudo marcar golos. A posse de bola é um meio e nunca um fim.
Vamos tentar recuperar rapidamente um futebol bonito e que entretenha, que faça os adeptos voltarem ao estádio na jornada seguinte. É isso que o Braga tem de recuperar e, se possível, mais depressa do que a paciência das bancadas, por vezes, permite. Eu tenho essa esperança!