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O futuro inicia-se na escola

Já se iniciou mais um ano letivo e a escola voltou a ganhar vida. Quem me conhece sabe o quanto aprecio o projeto educativo/desportivo do Desporto Escolar (DE). Porque, compreendo a sua importância estratégica e assumo que o DE é muito mais de que as competições ou um conjunto de modalidades disponíveis. É, acima de tudo, uma oportunidade educativa. O DE é “A Educação em movimento”, onde os alunos representam uma identidade, uma escola. Onde aprendem a respeitar regras, a lidar com a adversidade, a compreender a importância do movimento e da própria Educação. Recentemente, Portugal deu um passo importante com a aprovação da Estratégia Nacional para o Desporto Escolar (ENDE) 2026–2036. O documento estabelece metas muito ambiciosas para a prática desportiva regular no meio escolar. A ambição é necessária. Mas, um documento estratégico não transforma, por si só, a realidade. O seu verdadeiro valor será determinado pela capacidade das escolas e dos professores, e até dos pais, assumirem profundamente esta necessidade, urgente, de combate à inatividade física. A Educação Física e também o Desporto Escolar são efetivamente campos de oportunidade para os alunos poderem desenvolver de forma sistemática, acompanhada de técnicos habilitados, uma atividade física, que os ajude a promover competências, a valorizar a escola e a vivenciá-la de forma muito diferente. No caso do DE é, também, uma arma para combater as desigualdades territoriais na oferta desportiva. 

Defendo que o principal desafio não consiste somente em aumentar o número de participantes neste programa estratégico. Importa garantir que cada aluno encontre, dentro da oferta da sua escola, uma prática desportiva adequada, que goste, mas que seja promotora de saúde e facilitadora de um processo formativo integral. O DE deve acolher e promover quem deseja simplesmente experimentar, aprender ou descobrir o prazer de se movimentar. Neste caminho, os docentes responsáveis pelos grupos-equipa são fundamentais. O seu trabalho ultrapassa largamente o treino ou a organização de atividade desportiva. As tarefas ultrapassam o planeamento, acompanhamento, formação dos seus alunos, pois o seu papel fundamental é: Promover o vínculo dos nossos alunos a um futuro mais saudável. Mas, para que isto seja uma realidade é necessário trabalhar em vários campos, tais como a valorização destes profissionais, assegurar as condições dos projetos, promover parcerias com autarquias, clubes e associações, pois todos somos poucos para Educar as gerações mais novas.

Em 2036, o sucesso do DE não deverá medir-se apenas por quantos alunos praticam desporto na escola ou fora dela, mas também pela qualidade da experiência educativa que lhes proporcionamos. Claro que educar não é tarefa fácil, nem de uns poucos, mas deverá ser uma responsabilidade partilhada por toda a sociedade. O legado mais importante não será uma tabela de resultados: será uma geração, que globalmente, aprendeu a participar, a respeitar, a persistir e a cuidar de si e, também, dos outros. Precisamos de gerações mais humanistas. E esse futuro começa agora, em cada escola.


 

Carlos Dias

Carlos Dias

23 outubro 2026