Vivem-se tempos difíceis e de transição para os lados da Pedreira. O ambiente entre a equipa e os adeptos era de evidente divórcio nos últimos tempos. Quando as coisas correm mal, os defeitos sobrepõem-se às virtudes e os finais dos jogos transformam-se em momentos de tensão, reflexo dos maus resultados e das exibições pouco conseguidas.
Depois de duas derrotas com três golos sofridas em cada uma, frente ao Sporting CP e ao Copenhaga, o copo transbordou em Braga com a derrota diante do Gil Vicente. Foi mais um jogo em que uma vantagem se transformou em desvantagem, como já acontecera frente ao Estrela da Amadora e aos leões.
Nos últimos seis encontros, o SC Braga venceu apenas uma vez, com enormes dificuldades, um registo que adensou o ambiente na Pedreira e precipitou a saída de Carlos Vicens do comando técnico. Muitos adeptos reclamavam uma mudança. Veremos se esta será, efetivamente, para melhor.
A derrota frente aos gilistas teve demérito da equipa, mas também foi marcada pela arbitragem. A minha honestidade intelectual obriga-me a assinalar dois lances: o golo do empate, precedido de uma falta grosseira sobre Pau Víctor, que ficou com a perna ensanguentada, sem intervenção do árbitro ou do VAR, e o contacto sobre Ricardo Horta, já nos descontos, que, na minha perspetiva, justificava uma grande penalidade, mas acabou com um cartão amarelo para o Capitão bracarense.
A noite fria da Pedreira terminou a ferver, com as bancadas a demonstrarem a sua insatisfação e Carlos Vicens a pedir perdão aos adeptos pela fase negativa da equipa. Se soubesse que seria a última vez que o veria naquele lugar, teria aplaudido o treinador espanhol, pois nunca fui de acenar lenços brancos aos treinadores.
Carlos Vicens trouxe a Braga ideias diferentes na abordagem ao jogo e fez-me sonhar com algo especial na época passada, nomeadamente com a final da Liga Europa, cujo desfecho ficou condicionado pela expulsão na meia-final, frente ao Friburgo, na Alemanha. Acreditei que esse percurso poderia anunciar um futuro promissor. Contudo, nesta temporada, o processo não evoluiu como seria expectável e a contestação acabou por ditar uma saída que se tornou inevitável.
Para o cargo de treinador principal chega Franclim Carvalho, que regressa a Braga depois de ter sido adjunto de Artur Jorge. Conhecedor da exigência do clube, terá pela frente a difícil tarefa de recuperar o tempo e os pontos perdidos, devolvendo à equipa a confiança e a capacidade de resposta de que tanto necessita.
Formulo votos sinceros de muito sucesso ao novo treinador, desejando que conte com o apoio de toda a Legião e que a alegria e a confiança regressem rapidamente às bancadas da Pedreira. É urgente recuperar o respeito perdido ao SC Braga.
Por fim, não posso deixar de agradecer a Carlos Vicens pela seriedade que sempre me transmitiu e por me ter feito sonhar com algo diferente. Esse sonho não se confirmou com o passar do tempo, mas não apaga a esperança que um dia me fez sentir.