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Portugal só tem 2% de habitação pública!

A habitação pública é um dos instrumentos essenciais do “Estado de Direito Democrático Social europeu”. Uma habitação que não dependa só do mercado, salários ou capacidade de contrair crédito, como quer o neoliberalismo. Na principal UE, a habitação pública, social, municipal, cooperativa ou de renda limitada é uma fatia muito importante da política urbana. Não é só solução para pobreza extrema, mas é uma estabilidade social, planeamento de cidades inteligentes e tutela das famílias contra rendas ou preços incomportáveis. Portugal passa ao lado. O parque de habitação social anda na Lusitânia por volta dos 2% do total de habitações, de acordo com os dados da OCDE sobre habitação acessível. É muito escasso. Basta comparar com outros países europeus, onde a habitação pública ou social significa grande parte do parque habitacional. É por isto que o Estado português não consegue intervir no mercado e oferecer alternativas estáveis às famílias. Veja-se a Áustria. E só entrou para a UE em 1995! Portugal em 1986! É uma referência europeia com habitação municipal e de habitação de renda limitada. Grande parte da população vive em casas municipais ou em habitação promovida por entidades sem fins lucrativos, com rendas reguladas e contratos estáveis. Viena faz da habitação pública uma característica central. Assim, há menor pressão sobre as famílias e uma sociedade mais equilibrada. Veja-se a Holanda. São associações habitacionais que fazem a gestão da habitação social a par do Estado. Em níveis muito superiores a Portugal. O parque social é dos maiores da Europa. Assim, os Países Baixos têm respostas que Portugal não consegue. O modelo Português é o do capitalismo selvagem neoliberal. A Dinamarca: a habitação comum e/ou sem fins lucrativos, é dirigida por organizações de moradores ou entidades não lucrativas. Em Copenhaga, a habitação social ajuda a que trabalhadores, jovens, famílias e idosos não dependam só do mercado. Igualmente França tem habitação social: o HLM - Habitations à Loyer Modéré -, faculta milhões de fogos com rendas controladas, dirigidos por entidades públicas, semipúblicas ou sociais. Está na lei que os Municípios são obrigados a cumprir metas mínimas, além de evitar zonas exclusivas de rendimentos super-elevados. É 1 dever público de planeamento e inclusão. Na Finlândia, v.g. Helsínquia, há activa política habitacional, com profunda intervenção municipal, arrendamento acessível e cruzamento social. Não interessa concentrar a pobreza. A habitação pública e acessível visa a integração urbana. I.e., o problema português da habitação não é um fado eterno. Portugal apostou na casa própria durante anos. Desprezou a habitação pública e só socorreu emergências residuais para disfarçar a burrice política. O Estado não tem casas públicas funcionais e tem milhares de edifícios devolutos, onde, por vezes, há alguém a tentar fazer negócios corruptos. A realidade é um Estado-Luso sem casas, municípios com campo curto de intervenção, extensos exércitos de espera e famílias atiradas ao alto-mar das rendas cada vez mais altas. Ter 2% de habitação pública ou social é um cancro maligno da política portuguesa. Ao mesmo tempo que os salários médios são dos mais baixos da UE. Para lá da pressão turística, desprezo do interior, ausência de Regionalização e especulação imobiliária. Assim que outros países europeus conseguem ter habitação social ou pública de 12%, 20% ou mais, Portugal não pode continuar a neoliberalizar a habitação. Tem que ceder e comprar terrenos, reabilitar edifícios, construir, incentivar cooperativas, fortalecer municípios e assegurar que as casas ficam no parque público de forma contínua. A mão invisível não é rei nem roque. Perdem os jovens que não conseguem constituir família ou emigram. Os trabalhadores não estão perto do emprego, e os idosos ficam pressionados pelas rendas. As famílias que gastam metade do rendimento para ter um tecto. Portugal tem que ter vontade política VERDADEIRA.

Gonçalo S. de Mello Bandeira

Gonçalo S. de Mello Bandeira

23 outubro 2026