Há dias, enquanto via televisão com os meus filhos, deparei-me com uns desenhos animados no canal Baby TV que começavam e terminavam com a seguinte frase: “Ninguém fica triste quando anda de bicicleta”. Achei muita graça ao tema e perguntei ao meu filho, de 7 anos, porque é que achava que usavam aquela frase. Ele respondeu que é por ser divertido andar de bicicleta. Perguntei também se gostava de ir de bicicleta todos os dias para a escola e o porquê. Ele respondeu, que sim. Gosta porque não apanha trânsito, a bicicleta não polui e ajuda a ter saúde.
Fiquei muito orgulhosa por estas respostas e com o sentimento de dever cumprido. É exatamente isto que quero passar aos meus filhos.
Uso a bicicleta como meio de transporte diariamente, com eles. A mais pequena na cadeira e o mais velho já na bicicleta dele.
Não é um passeio de fim de semana nem uma atividade ocasional, é a nossa forma de ir para a escola, para o trabalho, para a vida. Faça chuva ou faça sol, a bicicleta faz parte da rotina familiar.
Há dias difíceis. Há trânsito, há pressa, há condutores irritados e maldosos que nos passam rasantes. Mas há uma coisa curiosa que acontece sempre que subimos para uma bicicleta, apesar dessas dificuldades a boa disposição reina, porque são francamente mais as coisas boas que advém desta prática do que as más.
Andar de bicicleta obriga-nos a estar presentes. Sentimos o ar, o frio da manhã, o cheiro da rua, o som da cidade a acordar. As crianças vão atentas, rimo-nos de coisas pequenas. O mais velho faz perguntas, e comenta o que vê. Há conversas que só acontecem ali, em movimento, sem ecrãs, sem distrações.
Claro que nem sempre é fácil. Há subidas que custam, dias de cansaço, momentos de impaciência. Mas mesmo nesses dias, algo muda. O corpo mexe-se, a cabeça organiza-se, o humor melhora. A bicicleta não resolve todos os problemas, mas ajuda-nos a encará-los de outra forma.
Andar de bicicleta desde criança, ensina-lhes autonomia, noção do espaço, respeito pelos outros. Aprendem que o caminho também faz parte do destino. Crescem a perceber que a cidade não é só para carros e sim para qualquer outro meio de transporte, até mesmo para quem quer andar a pé.
Para mim, usar este modo de transporte é tempo ganho. Tempo de qualidade com os meus filhos, tempo ao ar livre, tempo sem filas nem buzinas. É também uma escolha consciente: menos poluição, menos ruído, mais vida na rua.
Talvez seja por isso que ninguém fica triste quando anda de bicicleta. Porque, mesmo sem dar por isso, estamos a cuidar de nós, dos outros e do lugar onde vivemos. E isso, todos os dias, faz diferença.