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Desportos de Inverno, exemplo que vem do Interior

O inverno tem-se feito sentir com força em Portugal, com quantidades de neve relevantes e temperaturas que lembram que, mesmo num país de clima maioritariamente ameno, os desportos de inverno têm o seu espaço, praticantes e futuro. Este contexto coincide com a aproximação dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno de Milão–Cortina 2026, que decorrerão de 6 a 22 de fevereiro, em Itália, reunindo cerca de três mil atletas, de mais de 90 países, em 16 modalidades distribuídas por desportos de neve e de gelo.

Portugal não é, naturalmente, uma potência nos desportos de inverno, nem a sua visibilidade internacional se compara à de países com tradição alpina ou nórdica. Ainda assim, Portugal continuará a marcar presença em Milão-Cortina, como tem acontecido nas últimas edições, num processo exigente, desenvolvido em contextos competitivos internacionais altamente seletivos, que exige persistência e planeamento de longo prazo. No entanto, e mais relevante do que os resultados imediatos é o trabalho estrutural que tem vindo a ser desenvolvido pela Federação de Desportos de Inverno de Portugal (FPDI), com sede na Covilhã, que se afirma hoje como um bom exemplo no panorama federativo português, olímpico e não olímpico. Apesar de beneficiar, como outras federações, de receitas provenientes das apostas desportivas, a verdade é que esses recursos têm sido claramente reinvestidos no desenvolvimento das suas modalidades, com visão estratégica e impacto mensurável.

A Federação tem promovido de forma consistente o crescimento de modalidades de neve e gelo como o esqui alpino, esqui de fundo, snowboard, hóquei no gelo, patinagem artística, patinagem de velocidade e curling, criando quadros competitivos nacionais, apoiando seleções nacionais em competições internacionais, investindo na formação de treinadores e agentes desportivos e reforçando a ligação à base da prática. A organização de eventos e reuniões internacionais, incluindo iniciativas da Federação Internacional de Esqui (FIS) realizadas recentemente em Portugal, confirma a credibilidade alcançada junto das estruturas internacionais. Outro aspeto diferenciador tem sido o investimento em instalações, parcerias e cooperação, num país onde as limitações naturais obrigam a soluções criativas e a um planeamento rigoroso. A Serra da Estrela continua a ser o epicentro simbólico dos desportos de inverno nacionais, mas o trabalho desenvolvido ultrapassa largamente a geografia, afirmando Portugal como um participante ativo e respeitado neste ecossistema.

Num tempo em que tanto se fala de boa governação, impacto social e sustentabilidade no desporto, a FPDI demonstra que é possível fazer bem, com escala adequada, foco no desenvolvimento e respeito pelo investimento público. Vale a pena conhecer este trabalho, visitar o seu sítio oficial e consultar os eventos e atividades. Os desportos de inverno portugueses provam, através da ação dos seus dirigentes e agentes, que visão, competência e persistência contam, e contam muito. Aproveite também para enriquecer a sua cultura desportiva e acompanhar os Jogos de Milão-Cortina, transmitidos em vários canais e plataformas, de forma gratuita e facilmente acessíveis.

Fernando Parente

Fernando Parente

30 janeiro 2026