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As limitações do ser humano (II)

Todas as pessoas têm capacidades que devem aproveitar e rendibilizar o melhor possível. No entanto, por maiores que elas sejam, não podemos alardear mais do que se possui. Essa atitude de vanglória denota muita ufania que enfraquece a própria personalidade, contribuindo para um imperfeito desenvolvimento das potencialidades de cada um de nós. Alguns dos fatores limitativos que afetam muitos homens são o orgulho aliado à preguiça. E se a isto o homem acrescentar a descrença em si próprio e se não procurar as técnicas e as práticas adequadas a cada circunstância, então reduz a sua vida a um falhanço pessoal e social.

Artur Gonçalves Fernandes
13 Jun 2013

Portanto, por pouco dotados que sejamos, não podemos cruzar os braços e adormecer à sombra da bananeira. Duas das nossas necessidades mais básicas e prementes são a autoconfiança e a força da autorrealização. Como disse Ibsen, “Encaminhar a nossa vida de maneira a nos realizarmos – parece o maior feito de um ser humano”. Todos temos a obrigação de despertar os nossos talentos e a nossa grandeza. Nunca se pode esconder a luz de cada um debaixo de uma máscara de abatimento, de desânimo ou de degradação. Ninguém tem o direito de se considerar amedrontado, envergonhado, incapaz ou inútil. As faculdades e os privilégios de cada indivíduo serão desenvolvidos ou atrofiados pela decisão e ação de si próprio. Quando uma pessoa se apercebe verdadeiramente do facto vital de que quando quer subir pode mesmo subir cada vez mais, as suas limitações são vencidas e ultrapassadas substancialmente. A nata sobe sempre para o nível superior. Sobe porque é próprio da sua natureza subir. Trabalhemos e de certeza que a subida até altos níveis estará garantida. Maxwell Maltz escreveu: “Se queremos ser alguém temos de nos aceitar como somos e fazer o que podemos dentro dos limites das nossas faculdades. E isso não significa limitar-nos”. Com estes pensamentos e reflexões estaremos preparados para ultrapassar muitas das nossas limitações e substituí-las pelo desenvolvimento das potencialidades inatas que assim nos enriquecerão imenso.
Quando receamos a nossa incapacidade para resolver qualquer problema ou situação, esse receio de falhar provoca preocupação e ansiedade, semeia no nosso espírito a dúvida que destrói a nossa eficiência, paralisa as nossas faculdades e provoca o fracasso temido. Quando uma pessoa coloca um limite no que tenciona fazer, põe um entrave ao que pode realizar. Sabemos que todos os fenómenos da Natureza têm as suas propriedades específicas. O vidro é diferente da madeira; o ouro é diferente do aço. E nós sabemos aproveitar essa diversidade de características das coisas e sentimo-nos felizes com isso. Os seres humanos também são um fenómeno (o maior de todos) da Natureza, com as suas qualidades, propriedades, potencialidades e limitações. A nossa obrigação consiste em saber aproveitar essas capacidades. Se os doentes e fracos fazem, tantas vezes, coisas maravilhosas, o que é que poderá limitar o poder de uma pessoa saudável? Miguel Ângelo, o grande pintor, foi cego parte da sua vida; Steinmetz era aleijado, mas desenvolveu o seu intelecto até ao ponto de ser considerado um génio; Milton teve as visões mais belas na sua cegueira e Beethoven ouviu música celestial na sua surdez, que nenhum de nós pode aspirar a ver ou a ouvir. O único objetivo a ter em conta na vida é tornarmo-nos naquilo que somos capazes de vir a ser. Só há dois grupos que nunca se enganam: os mortos e os não nascidos. O maior erro que se pode cometer é o de estar sempre com medo de errar. Devemos tomar decisões pensadas e agir. Se fizermos algo de incorreto, devemos corrigir o erro, para nos aperfeiçoarmos cada vez mais.




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