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A RECUPERAÇÃO DOS VERDADEIROS VALORES HUMANOS (56) O direito à felicidade (I)

Desejar a felicidade é, por inerência, um princípio intrínseco da natureza do homem e, portanto, um direito que assiste a todo o ser humano. Esta característica humana não é regional, nem própria só de uma casta social ou de uma determinada cultura. Ela é universal. Também não é ocasional ou eventual, mas sim constante e permanente. Marco Aurélio escreveu: “O objectivo do homem é viver de acordo com a natureza, obtendo assim felicidade, tranquilidade de espírito e contentamento”.

Artur Gonçalves Fernandes
25 Abr 2013

No entanto, para encontrar a felicidade temos de a procurar no nosso coração, porque ela vem de dentro e deriva dos nossos próprios esforços, da nossa atividade diária e das crenças de cada um. A felicidade não depende essencialmente daquilo que nos rodeia, mas da nossa atitude e do nosso comportamento. O bem-estar e a felicidade têm que ser interiores, sólidos, fundados no nosso ser mais profundo e dele brotar com segurança e persistência. A alegria e a felicidade meramente exteriores são efémeras, vãs e fugazes. Quantas pessoas exteriorizam contentamento nos seus sorrisos, nos seus lábios e nas suas conversas, mas no seu coração só existem mágoas, tristeza, melancolia e frustrações, porque as maldades as invadiram e cercearam, devido às suas atitudes desajustadas no seu dia a dia.
A felicidade começa a encontrar-
-se em pequenas coisas: o sorriso de uma criança, uma palavra amiga, um gesto de solidariedade, o canto de um passarinho ou a luz numa janela. A felicidade não depende de uma carteira bem rechea-
da, mas de um espírito rico em pensamentos corretos e de um coração cheio de emoções vivas e adequadas à natureza humana. A verdadeira felicidade vem, pois, do contentamento mental e espiritual. Muitas vezes, os mais destituídos de confortos materiais têm grande alegria de viver. A felicidade e o contentamento não são artigos de importação nem dependem do “mercado de abundância” de que possamos usufruir. Não é o local onde estamos nem consiste também na posse dos nossos haveres materiais que tanto nos podem proporcionar um certo conforto como a infelicidade e a frustração. O nosso estado de espírito é mais determinado pelo que somos do que por aquilo que temos. Um homem muito pobre pode ser imensamente rico e um milionário pode ser humilhantemente miserável. São os paradoxos que a existência humana pode, por vezes, oferecer. A vida deve-nos pouco, nós é que lhe devemos tudo. A verdadeira felicidade vem da perseguição e concretização de objetivos dignos. Quando Colette, a escritora francesa, estava a ser entrevistada por jornalistas, exclamou: “Que vida maravilhosa tenho levado; estes foram os meus dias mais felizes”. Então suspirou e acrescentou com ar de remorso: “Só queria ter chegado mais cedo a esta conclusão”.
Quanto vale um pôr do sol? Há coisas, como o pôr ou o nascer do sol, que não têm preço. O seu valor está no que fazem por si ou lhe fazem. Cada um de nós tem um número limitado de alvoradas e de poentes. Aprendamos a saber apreciá-los ao máximo em cada dia. A boa disposição é o grande lubrificante da roda da vida. Ela torna o trabalho mais leve, reduz as dificuldades, mitiga os infortúnios e dá um poder criador que os pessimistas não conseguem ter. Uma disposição alegre, esperançosa e otimista torna a existência mais suave, alivia a sua inevitável monotonia e amortece os solavancos da estrada da vida. Para aqueles que pensam e raciocinam corretamente, cada dia é um período de tempo feliz para agradecer o facto de estar vivo e possuir as verdadeiras riquezas da vida: saúde, família, tranquilidade, paz de espírito e amizade. Há tanto para viver e tanto para fazer!




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