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A expulsão de Vinícius

A expulsão “extemporânea” do defesa Paulo Vinícius, do SC Braga, ocorrida no jogo do passado domingo contra o Vitória de Setúbal, veio levantar mais alguns ventos na já tormentosa tempestade que assola a arbitragem portuguesa. O árbitro Duarte Gomes “interpretou” a falta cometida por Vinícius como sendo passível de punição com cartão vermelho – ocorrência que foi logo fortemente contestada pelos bracarenses (adeptos e dirigentes) –, impossiblitando a atuação daquele futebolista no encontro do próximo sábado contra o Benfica.

Pedro Álvares de Arruda
24 Jan 2013

A “interpretação” que Duarte Gomes fez daquele “lance” não é pacífica. Alguns comentadores (incluindo homens da arbitragem) consideraram correta a amostragem do cartão vermelho, pelo facto de a falta cometida por Vinícius presumivelmente impedir o sadino Bruno Galo de se “isolar”; vários outros comentadores, porém, julgaram inadequada a exibição do “vermelho”, tendo em conta a considerável distância entre Galo e a baliza, bem como a circunstância de haver alguns jogadores bracarenses nas “redondezas” e, por conseguinte, com putativas hipóteses de intercetarem o “isolamento” do jogador do Vitória de Setúbal. Houve ainda quem “argumentasse”, contra a expulsão direta, com o facto de Vinícius não ter podido evitar a falta – porque Bruno Galo se encaminhou para a baliza seguindo uma “linha de corrida” onde se encontrava o defesa bracarense, que não poderia “volatilizar-se”.
Como se vê, a “interpretação” daquela ocorrência não tem merecido unanimidade. E isso, por si só, cria uma margem de subjetividade que permite, por um lado, considerar desproporcionada a “condenação” de que foi alvo Vinícius – e, por outro, ter por acertada a decisão de Duarte Gomes.
A meu ver, o maior “problema” daquele julgamento do árbitro prende-se com questões de natureza exógena ao “lance” e ao jogo contra o Vitória de Setúbal. Julgo mesmo que essa decisão de Duarte Gomes teria passado “incólume” (dado que o SC Braga, à altura da falta de Vinícius, já tinha os três pontos confortavelmente conquistados) se a expulsão do jogador bracarense não tivesse “consequências” no próximo encontro com o Benfica. Em primeiro lugar, porque Vinícius, além de um excelente “central”, é, neste momento, um jogador imprescindível na defesa bracarense, dadas as carências que existem neste setor na equipa de Peseiro; e em segundo lugar, porque se levantou a imediata “suspeita” de presumível favorecimento à equipa de Jorge Jesus, “por antecipação” – já que, diante do Benfica, a defesa do SC Braga ficará (supostamente) mais frágil sem a concorrência de Paulo Vinícius…
Seja qual for a opinião do leitor sobre a (controversa) decisão do árbitro Duarte Gomes, tenho para mim uma certeza absoluta: o SC Braga é já demasiado “grande” para se deixar abalar por este episódio! Não há-de ser por um dos seus defesas não poder jogar contra o Benfica que o resultado do jogo contra a equipa da Luz está “antecipadamente” comprometido. Antes pelo contrário! Porque guerreiro ferido não significa… guerreiro vencido!




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