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Outro ponto de vista…

Quando cerca de 60 por cento da população votante se abstém de ir às urnas algo de grave se passará

N/D
18 Jun 2004

A capacidade de organização por parte dos portugueses, muitas das vezes colocada em causa, é visível na forma como e, bem, têm decorrido alguns eventos no nosso País.

Fazendo parte dos que tiveram o privilégio de estar no “Rock in Rio – Lisboa”, pelo menos em um dos dias, o que teve maior número de espectadores, pude in loco constatar um nível de organização que me pareceu quase perfeito.

Com segurança, com espectacularidade, com cor e com muita gente, o espectáculo de tão bom, pareceu-me estar a acontecer noutro sítio. Mas não! Estava em Lisboa, num espectáculo organizado também por nós portugueses. Um senão: a parte das refeições foi em muitos momentos o pior que julgamos ter, uma profunda desorganização.

Tudo o resto fez-nos encher de orgulho. Então o fecho, foi a cereja em cima do bolo, com uma actuação sublime de Pedro Abrunhosa.

Segundo testemunhos de muitos, um outro festival, “Super Bock, Super Rock”, foi também um exemplo de boa organização.

Esta nossa capacidade, empreendedora, deve merecer realce, nestes momentos de alguma depressão colectiva.

Depressão visível na forma como encaramos alguns dos combates que temos enquanto nação.

Num outro ponto de vista, de análise dos recentes resultados eleitorais, o que nos deve inquietar é o aparecimento, residual, de uma força que pode vir a ter importância no contexto da governação. Refiro-me ao Bloco de Esquerda, albergue de um conjunto de forças de extrema-esquerda que utilizando um discurso bem elaborado tem cativado muitas pessoas.

É bom de referir que seria trágico se tivéssemos esses senhores a condicionar a governação do país. Como exemplo empírico dos valores que defendem, os bloquistas tiveram na Albânia a expressão máxima das suas ideias, com as consequências nefastas para milhões de albaneses. Na agradabilidade de um discurso pretensamente moderno, esconde-se um conjunto de princípios que negam sempre a liberdade individual… Penso que atingiram o seu ponto máximo, mas devem ser desmascarados.

Inquieta-me, também, a forma indecorosa como alguns fizeram a celebração da vitória. Quando cerca de 60 por cento da população votante se abstém de ir às urnas algo de grave se passará.

Em vez de cantarem uma vitória, muito relativa, ou justificarem uma derrota evidente e previsível, a nossa classe política deveria antes procurar saber das razões que levam tantos a deixarem-se de preocupar com o cumprimento de uma importante obrigação de cidadania, o voto.

Finalmente, é na adversidade que os homens se conhecem – por isso, acredito que vamos, mais uma vez, derrotar os espanhóis.




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