Fotografia:
Reinventar a Nossa Cidade

Não é que Aveiro prime pela monumentalidade. É um facto que tirando o Convento de Jesus e um ou outro edifício civil ou religioso pouco teria a cidade da Ria para encher páginas de guias turísticos. Mas a verdade é que Aveiro tem sabido reinventar-se a si mesma criando novos espaços de referência que são os pilares de uma reputação equilibrada que muito se tem difundido.Não é que Aveiro prime pela monumentalidade. É um facto que tirando o Convento de Jesus e um ou outro edifício civil ou religioso pouco teria a cidade da Ria para encher páginas de guias turísticos. Mas a verdade é que Aveiro tem sabido reinventar-se a si mesma criando novos espaços de referência que são os pilares de uma reputação equilibrada que muito se tem difundido.

N/D
10 Jul 2003

Dos espaços a que me refiro, e fugindo à fabulosa universidade, destaca-se o restauro aproveitamento museológico da fábrica de Cerâmica Jerónimo Campos (na fotografia).
Mais que a ideia, ainda quase peregrina em Portugal, de se recuperar e reutilizar o património industrial; ou a evidente qualidade da intervenção, surpreende como o espaço se torna pólo fertilizador de toda uma zona de expansão da cidade, que escapa assim à tragédia da banalidade (mais exemplos de fábricas recuperadas em Portugal consultar o endereço da internet www.projectobragatempo.net/confianca).

Como Bracarense procurei então analogias. Procurei fragmentos do “pequeno mas honrado” passado industrial de Braga que poderiam servir de fuga à tal tragédia. Tragédia que, como é do conhecimento geral, se traduz nas estéreis áreas de crescimento recente.

Inútil pensar nas fábricas da rua do Taxa. Velha referência da indústria chapeleira, a Fabrica Taxa fundada em 1851 tinha a fachada principal para a rua D. Pedro V e crescia lateralmente para a rua sua homónima.

Não sobreviveu aos anos 80, quando foi demolida para dar lugar a um prédio de habitação e a uma pastelaria. Atravessando a rua do Taxa, e também com fachada para a rua D. Pedro V,encontrávamos A Industrial.

Fundada em 1921 num belíssimo edifício, tinha instalações “modelares, contendo uma série enorme dos melhores e mais modernos maquinismos de chapelaria”, no dizer de um jornalista da época (in Araújo, Manoel – Indústrias de Braga (Notas de um jornalista), Braga, 1923). Assim foi até ser arrasada também nos anos 80. No seu lugar ergue-se um prédio de habitação com espaços comerciais de ocupação oscilatória e indefinida.

A sul da Estação de caminhos de ferro ficava a Companhia Industrial do Minho fundada em 1927 e percursora da explosão têxtil dos anos 70. Dizia sonhador o mesmo jornalista que, com esta fábrica Braga firmava “dia a dia o inegável direito de terceira cidade do país”. O velho edifício desapareceu e no seu local nada existe que sugira aquele estatuto.

Quem não se lembra da Fábrica Pachancho, ali em frente ao colégio D. Diogo de Sousa? Foi palco de muitas promessas de recuperação e aproveitamento. Boatos correram até sobre a sua utilização como espaço de diversão nocturna à semelhança do que acontece em grandes cidades europeias. Resta apenas um pavilhão sem destino conhecido.

De meados do século XIX, e com um edifício imponente com fachada para a rua Nova de Santa Cruz, era a Fábrica Social Bracarense. Grande referência da indústria chapeleira de Braga, sucumbiu também há poucos anos numa área da cidade que se descaracteriza constantemente, dando um lamentável enquadramento a uma das suas mais aclamadas instituições: a Universidade do Minho. Mas nem tudo está perdido.

Em frente ao local onde existiu a Fábrica Social Bracarense subsiste ainda a velha Fábrica Confiança. Fundada em 1894, e com um belo edifício de 1904(?) é agora testemunha única de todo um período da história da cidade.

Era pois esta a analogia que procurava. A localização no eixo UM-centro da cidade é perfeita, servindo de articulação entre estes dois pólos cada vez mais desgarrados. A qualidade e dimensão do imóvel oferece inúmeras possibilidades de utilização, que poderão não passar exclusivamente pelo aproveitamento museológico. Neste ponto a Universidade terá sem dúvida algo a dizer.

Agora que a histórica empresa, não se vergando à agressividade dos mercados, procura a expansão noutro local da cidade é preciso livrar as velhas instalações do triste destino das suas contemporâneas. É preciso uma ideia para a Confiança.




Notícias relacionadas


Scroll Up