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Tornar-se pessoa, segundo um psicoterapeuta

Um dos objetivos do psicoterapeuta Carl Rogers é fazer do indivíduo pessoa. O indivíduo, esta é a minha opinião, logo que se torna o emissário existencial da transcendentalidade imanente (reflexo da sua ôntica natureza), sem a perversão das suas relações e da sua unicidade, torna-se pessoa. A pessoa, para o ser, tem como dever, tanto para consigo mesma, como para o social, como para com o mundo (o meio ambiente que a circunda), como para com Deus, estabelecer relacionamentos inteligentemente emocionais, com fundamento nas transcendentais relações de verdade, amor, vida, paz, abertura, aceitação, compreensão e perdão. A pessoa, como tal, abraça, carinhosamente, na essência do seu autêntico ser e entre todas as pessoas, incondicionalmente, a solidariedade, a cooperação, a colaboração e a fraternidade, sem isolamentos, fragmentações, roturas e rigorismos, em ordem não só à construção e progresso do verdadeiro e real sentido da sua vida existencial, para a sua transcendentalidade e esta em ordem à busca da sua integração no Banquete Eterno (o Transcendente) Deus. Carl Rogers talvez se distancie, desajustadamente, do que acabei de explanar, ao afirmar em “Tornar-se Pessoa” que “o centro mais íntimo da natureza humana, isto é, o núcleo da personalidade do homem é o próprio organismo, que quer essencialmente estas duas coisas: conservar-se a si mesmo e ser social (…). Ouso afirmar que, se penetrarmos até à nossa natureza (organismo), chegamos à conclusão de que o homem é um animal positivo e social. É esta a sugestão que nos oferece a nossa experiência clínica”. Não será descabido, esta é a minha opinião, com perfume a certeza, que a psicoterapia, para alcançar o seu verdadeiro objetivo, não pode limitar (empobrecendo) a natureza humana apenas ao seu próprio organismo (conservar-se a si mesmo e ser social), mas deve abrir esta natureza à dimensão transcendental e esta para Deus (o Transcendente), que exige, perentoriamente, da pessoa, que supere o fator social, sem o excluir nem desvalorizar. Estas breves e simples passagens, levam-me a afirmar, com fundamento no ôntico ser humano, que o excelente psicoterapeuta não penetrou na plenitude da natureza humana, constituída pelos fatores do meio ambiente, fatores bio psíquicos e transcendentais, com a sua abertura e congruência para o Transcendente (Deus), o que me mostra o desajustamento da psicoterapia de Rogers em relação ao sentido eficiente de todo o comportamento humano.
Autor: Benjamim Araújo
DM

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28 março 2018