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A democracia das”elites”!

 


 

A política nacional tem coisas bastante estranhas. E pouco perceptíveis para a compreensão de um qualquer cidadão que está minimamente atento e interessado no “espectáculo” e nos caprichos da tal “democracia elitista”. (Eu fico “estonteante”, quando o PCP fala em democracia ou quando o BE diz que é social-democrata).


 

1 - Todos os políticos falam de democracia, porque lhes dá jeito. Claro! Mas, falam sempre à sua maneira. Então, a esquerda eleva a fasquia a patamares tão altos como se a democracia lhe pertencesse por inteiro. Essa, a que aspiram e propagam, é que, é a verdadeira democracia. A única! Nada de democracia burguesa e a “direita” não pertence a esta democracia. É um corpo estranho. Os elitistas (?) aceitam a democracia de todos, mas, atenção, o poder fica nas suas mãos. É neste ponto que reside o busílis do problema. O pesadelo da esquerda é que a democracia se reforça e o poder se conquista, sem arranjos, claro, através do voto. E esse voto livre foge dessa esquerda como o diabo foge da cruz. E porquê? Basta olhar para a expressão mínima dos libertários no Parlamento. E isso diz tudo!


 

2 - Outra questão em que se elevam: serem “democratas convictos”. O que quer dizer que são “esclarecidos”. Os únicos que sabem pensar. Os que escrevem e assinam manifestos e cartas abertas para mostrar as suas revoltas. As suas frustrações. Os seus desencantos com as massas populares. Eles, os “expoentes máximos do pensamento”, não conseguem convencer a “arraia miúda” do erro que comete em votar nos partidos da “não esquerda”. Se há “democratas convictos”, fica a ideia que há os que não são “convictos”. Os que não se afinam pelos padrões das manhãs que cantam. Estes não são democratas. É qualquer coisa escorregadia. Penumbrosa. E sem vínculos ao sistema do estado social e das igualdades. Das solidariedades (de treta) e das grandes causas fracturantes. E andamos nisto há cinquenta anos! A verdade é que os “democratas convictos” esquecem ou desvalorizam o voto em urna que é a expressão clara e livre do eleitor na escolha que faz. Essa opção incomoda-os, mas fazem de conta que pouco conta. E pouco conta, porque a “democracia deles” é rejeitada através desse voto insipiente. É isso que não percebem! Nem querem perceber!


 

3 - Todos sabemos que a democracia tem pilares estruturantes que suportam o regime: o voto, a pluralidade de ideias e a transparência nos processos. A LIBERDADE! Só há pluralidade se houver tolerância. Se não houver tolerância pela diversidade de ideias, desagua-se num regime de cariz ditatorial. Já tivemos e vivemos, em tempos, esta realidade (depois do 25A) que não pode ser esquecida, se bem que as linhas sinistras querem e pretendem passar, ainda hoje, um apagão pelo período conturbado e intolerante que vigorou no PREC - processo revolucionário em curso. Tempo da “democracia única” com presos políticos, com perseguições, com torturas, com mandados de captura e de busca em branco. Com terror. Com julgamento populares. Com juizes a fazerem plásticas para não serem reconhecidos. Isto não pode ser esquecido. Isto é um marco negro nos primórdios de um regime que se encaminhava ferozmente para a unicidade. Bandalheira e irresponsabilidade eram as marcas criadas pela ideologia totalitária. 


 

4 - Para terminar, o debate político entre Pacheco Pereira (PP) e André Ventura (AV) . Esse debate veio despertar e avivar o confronto entre o passado e o presente. Veio colocar à tona a realidade negra, o Relatório das Sevícias, que se fazia de conta que não “existia”. Nem nunca “existiu”. Relatório que as elites esclarecidas queriam amortalhá-lo e depositá-lo nas catacumbas do silêncio. É por isso que o sector elitista de esquerda não perdoa a ideia peregrina e descabida de PP promover este debate. O propósito de PP não era mexer no lixo revolucionário, mas destruir e humilhar AV diante de milhões de telespectadores. Falhou em toda a linha. O tiro saiu-lhe pela culatra. Do outro lado, um Ventura que apostou todas as fichas para se afirmar como líder de uma facção, extremada, e, ao mesmo tempo, para mostrar as “mentiras revolucionárias”. A confirmação fez-se através de documentação apresentada. E, por acaso, bem discutida. 

Armindo Oliveira

Armindo Oliveira

27 abril 2026