Braga, é uma cidade pujante a nível nacional. Deve-o muito à sua história e aos grandes homens que a construíram. Desde os tempos romanos que esta urbe é um aglomerado importante, daqui partiam vias terrestres fulcrais que se ligavam a todo o império romano. Foi capital dos Suevos e Primaz das Espanhas e, por esse estatuto, definiu, no noroeste peninsular, um estilo de vida muito peculiar.
Foi capital da Baixa Galécia. Na Idade Média, com notáveis arcebispos, deu-se a expansão da cidade para fora das suas muralhas. Pena foi que não se soube preservar essas “relíquias do passado”, como a Brácara Romana, com todo o seu esplendor, e a muralha, da qual só restam pequenos panos de parede e a Torre de Menagem.
1 – Entretanto, uns breves reparos. Ainda não percebi a razão de termos na praceta em frente do Jardim de Santa Bárbara uma estatueta com a figura de um dragão, em cima de uma estrutura metálica, tipo palanque. Não percebi a relação que existe entre este animal mítico e a cidade dos arcebispos. Não percebi, o que está aquilo lá a fazer! Não percebo eu, nem percebem muitos amigos meus a quem perguntei que me descodificassem a simbologia deste “monumento” citadino.
Não seria mais adequado, mais justo e mais perceptível, sob o ponto de vista histórico e de reconhecimento pelas grandes figuras desta cidade que lá colocassem, em jeito de homenagem e de gratidão, uma estátua, por exemplo, de D. Diogo de Sousa, um dos grandes visionários desta cidade? O enquadramento paisagístico assim o exigiria. A centralidade também.
Por isso senhores autarcas e senhores historiadores, façam o favor de estudar o assunto que a cidade agradecerá e os bracarenses também.
2 – Agora, e nesta fase de expansão económica, associada às boas expectativas de confiança geradas por esta governação de esquerdas, que tem proporcionado um período de “vacas gordas” (?), era a altura certa dos autarcas desta cidade pensarem em acabar o majestoso edifício do convento do Pópulo do lado poente.
Quem vem do Baixo-Cávado, subindo as Parretas, logo depois da estrada de acesso à variante, depara-se, à esquerda, com uma imagem de uma construção inacabada que nada valoriza aquele belo conjunto arquitectónico, formado pelo convento dos Agostinhos, hoje CMB, e pela igreja neoclássica, cujo desenho é atribuído a Carlos Amarante. Era pertinente e arrojado levar uma iniciativa desta qualidade a bom porto.
É notório que a igreja precisa de ser cuidada. Uma pintura geral no exterior e uma lavagem ao granito só lhe davam outra frescura e outro impacto visual. Vamos lá tratar dos nossos monumentos.
3 – Quem morar no casco urbano não pode estar sujeito a receber qualquer tipo de penalização ou a ser incomodado por taxas e taxinhas pela simples razão de usar a sua rua (agora pedonal) para aceder a um espaço de garagem para a sua viatura. Não para estacionar a viatura na rua. Não é disso que se trata. Mas, para aceder à garagem. Esta decisão camarária não tem jeito nenhum. Não tem jeito em todas as ruas pedonais da cidade.
Quando se pensasse fechar uma artéria fosse ao trânsito ou considerá-la pedonal, os moradores que tivessem uma viatura deveriam poder usar essa artéria, recebendo, para o efeito, um salvo conduto gratuito que lhes permitissem entrar e sair sempre que achassem conveniente da sua garagem. O caso que assinalo, refere-se à Rua de S. Vicente.
Não é aceitável que estes moradores sejam penalizados com uma taxa (o montante por mais insignificante que seja não importa) que me parece fora do tempo e fora do âmbito de uma política de prender ou de atrair gente para um centro urbano despovoado e envelhecido. Se a política for para escorraçar os moradores, então está certo aplicar esta e outras taxas.
Era conveniente que a CMBraga repensasse o assunto e lhe desse o tratamento devido. Penalizar os moradores do centro histórico, de forma nenhuma. Em sentido contrário, há outras autarquias no país que os isentam de muitos impostos e de derramas. Tudo é uma questão de estratégia de revitalização dos centros da cidade.
Autor: Armindo Oliveira
Ponto por ponto
DM
14 fevereiro 2018