Se feminismo é afirmar a igualdade de direitos entre homem e mulher, então somos todos feministas. A ideologia de género também o defende, mas de um modo que destrói as bases em que essa igualdade se apoia: nega a realidade biológica e as suas bases científicas e, em seu lugar, cria uma realidade virtual onde tudo é fantasia, tudo é livre, onde não se conhecem limites éticos, uma porta aberta a todas as fantasias assumidas como realidade. Não está em questão negar os factos, mas procurar entendê-los de acordo com a ciência. Numa breve análise dos seus conceitos básicos e começando pela palavra ideologia, convém recordar que, em sentido amplo, ideologia significa aquilo que seria ideal (se optarmos pelo presente, aquilo que é ideal e que nós gostávamos que existisse). E, por ideal, entende-se um conjunto de ideias e de doutrinas ou visões do mundo. Portanto, quando se fala de ideologia não nos estamos a referir à realidade que existe, mas a uma realidade que gostávamos que existisse. Sendo assim, ideologia não é ciência nem tem a autoridade da ciência. E distingue-se da ciência porque, como não trata da realidade, não pode ter como fundamento uma metodologia exacta capaz de comprovar as suas ideias. Carlos Marx considerava a ideologia como uma forma de poder dos sistemas teóricos, políticos, morais e sociais criados pela sociedade dominante.
1. A ideologia de género representa o conceito que sustenta a identidade de género, que consiste na ideia de que os seres humanos nascem iguais, sendo que a definição de masculino e de feminino é um produto histórico-cultural desenvolvido tacitamente pela sociedade. Assim, a palavra género é interpretada como sinónimo do sexo atribuído. De acordo com a teoria da identidade de género, o facto de determinada pessoa ter nascido, por exemplo, com o órgão sexual masculino não faz com que essa pessoa se identifique obrigatoriamente como homem. A ONU já veio dar o seu parecer de que a identidade de género é a maneira como um indivíduo se reconhece, como ele percebe a sua própria identidade. Saltando de casos concretos para o geral, os teóricos da ideologia de género afirmam que ninguém nasce homem ou mulher, mas que cada indivíduo deve construir a sua própria identidade, isto é, o seu género, ao longo da vida. E os papéis de homem ou de mulher seriam apenas papéis sociais e flexíveis que cada um representaria como e quando quisesse, independentemente do que a Biologia determine como tendências masculinas ou femininas.
2. Shulamit Fireston pretende ir mais longe e afirma que a revolução feminista não se deve limitar a acabar com o privilégio masculino, mas também com a própria diferença de sexos: as diferenças genitais já não teriam mais importância… Os defensores da ideologia de género identificam género não como sexo biológico, mas como projecção dos comportamentos que a sociedade e a cultura esperam que seja típico do sexo masculino ou do sexo feminino. O critério não é o sexo biológico, mas o comportamento atribuído a cada um dos sexos. E estes comportamentos nem precisam de estar obrigatoriamente relacionados com o sexo biológico atribuído ao indivíduo. Assim, para a “ideologia de género” e ao contrário do que dizem as ciências biológicas, o género é mutável e não limitado.
3. E vão criando a linguagem desta sua fantasia teórica. Os que se identificam com o seu género de nascença são os cisgéneros; os que não se identificam com o seu género de nascença, são os transgéneros. A conhecida sigla LGBT designa, num mesmo grupo, diferentes tipos de orientação sexual: as Lésbicas, os Gays (homossexuais), os Bissexuais, os Travestis, os Tanssexuais e os Transgéneros, sendo que, entretanto, já há mais seis variantes. Usam uma bandeira com 3 cores: a cor rosa designa o género feminino; o azul, representa o género masculino; o amarelo que designa as pessoas não-binárias, isto é, que não são nem masculino nem feminino e que possam ter características tanto do homem como da mulher ou mesmo fora do género masculino ou feminino. O termo Pansexual designa os indivíduos que sentem atracção sexual por qualquer tipo de ser vivo, incluindo animais e plantas, embora, em sentido corrente, se entenda aquele que se sente atraído por qualquer ser humano. Nisso, aproximam-se do conceito de Bissexuais, os que se sentem atraídos tanto por pessoas do sexo masculino como feminino. Desde que se negue a realidade, há uma diversidade sem limites, sempre em aberto: até agora, havia apenas a representação binária homem/mulher, sexo masculino/sexo feminino; agora, cada um vai escolhendo o seu ramo de acordo com os seus sentimentos. Já vão em 56 modalidades de opções de género… E podem não ficar por aí, até porque há países como a Alemanha e o Nepal que adoptaram recentemente uma terceira opção de género para os seus cidadãos escolherem o que querem ser: masculino, feminino ou outro...
Autor: M. Ribeiro Fernandes