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A Consagração a Nossa Senhora de Fátima e a oferta de diamantes para a Sua Coroa

Após o 25 de abril de 1974 viveram-se momentos difíceis em Angola, devido aos movimentos ligados à independência – MPLA, UNITA e FNLA –, que se estenderam a toda a Província de Angola (designação da época, no tempo do Governo de Salazar). Estes acontecimentos trouxeram imensos problemas a certas etnias autóctones e às pessoas de origem portuguesa, nascidas ou residentes em Angola, muitas das quais tinham vendido os seus bens em Portugal para ali investir e acabaram por regressar na ponte aérea Luanda–Lisboa, deixando tudo para trás.

É de salientar que Portugal, ao contrário de outros países colonizadores, deixou um legado importante em Angola – no comércio, na indústria, na agropecuária –, tendo ao tempo um dos maiores Centros de Investigação, no Huambo (então Nova Lisboa). Portugal não se serviu dos recursos de Angola nas diversas áreas, pensando apenas no seu desenvolvimento. Angola desenvolvia-se então a um ritmo comparável ao do Brasil e Luanda crescia proporcionalmente ao nível de São Paulo.

Um facto importante é de referir: o petróleo foi descoberto em Angola em 1912 pela PEMA, a que sucedeu a Companhia de Diamantes de Angola, mas só começou a ser explorada a partir de 1960, na altura do movimento dos partidos de libertação de Angola, pois Salazar tudo fazia para impedir o grande desenvolvimento de Angola. 

A Companhia de Diamantes de Angola passou por momentos difíceis, mas na sua área praticamente não houve guerra entre os movimentos no período pós-independência, pois ali se instalou o MPLA, que manteve um bom entendimento com a Direção da Diamang, colaborando em parceria e com boas relações. Surgiram alguns problemas inerentes à situação após a independência, mas foram ultrapassados, pois esta empresa era uma referência a nível mundial na área social, pelo apoio e assistência que prestava a toda a população na área da sua atividade, e pelo esforço em formar quadros para a sua futura liderança, o que tive o privilégio de preparar, comungar e testemunhar.

Após a nossa saída em 3 de dezembro de 1977, a empresa inglesa MATT´S TEAM passou a assumir a liderança da exploração, juntamente com a angolana ENDIAMA, tendo sido o último Diretor Geral e Administrador Residente da Diamang, embora continuando em Portugal com participação portuguesa.

Até à independência, os diamantes em bruto vinham para Lisboa e, depois de classificados seguiam para Londres, para a Central Selling Organisation. Uma parte seguia para a DIALAP, em Lisboa, uma das maiores lapidações do mundo, cujas instalações são hoje ocupadas pela RTP, e com o património societário e mobiliário em Portugal, devido à visão jurídica de Almeida Santos, ex-Ministro, foi criada a Sociedade Portuguesa de Empreendimentos, S.P.E., S.A. (Lisboa), destinada à área mineira nacional e internacional.

O Conselho de Administração em reunião de 13 de fevereiro de 1979, entendeu consagrar a empresa a Nossa Senhora de Fátima, tendo a Administração se deslocado a Fátima para oferecer um conjunto de diamantes, destinado a ser colocado na coroa de Nossa Senhora de Fátima.

Foi uma cerimónia digna e marcante para o Conselho de Administração da S.P.E., S.A., constituído pelos seguintes membros: Presidente Mário Paiva Neto, Eduardo Vaz de Oliveira, – autor do texto da Consagração a Nossa Senhora –, Belarmino da Silveira, Figueiredo Nunes, Nandin de Carvalho, Bernardo Reis e Paul de Bawn, dos quais só estão entre nós Belarmino da Silveira e Bernardo Reis.

O texto era lindíssimo, escrito com fé profunda e amor a Nossa Senhora, tendo sido entregue com os diamantes na Capela das Aparições. Deixo para o fim a sua parte final: 

“A Ti, Rainha do Céu e da Terra, vimos, com o coração cheio de alegria, ofertar-Te estes diamantes – as pedras mais preciosas criadas por Deus – para irem enriquecer a Tua Coroa de Rainha do Mundo, tecida pelos homens. Sejam estes diamantes, que hoje Te ofertamos, sinal sensível dos nossos corações, do Amor que Te temos. Querida Mãe, guarda-nos, protege-nos, dirige-nos e abençoa-nos. Fátima, 22 de maio de 1980.”

Bernardo Reis

Bernardo Reis

5 novembro 2026