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A bola entrar ajuda

O SC Braga tem vivido uma temporada longe daquilo que se previa. Isto porque os planos elaborados ficam, muitas vezes, distantes da sua concretização. Vem isto a propósito da ideia de jogo que Carlos Vicens tentou implementar em Braga, cujo processo não evoluiu em consonância com o expectável. O resultado foi o fim de linha do técnico espanhol na sua aventura portuguesa.

A chegada de Franclim Carvalho foi envolta num misto de rapidez e surpresa, face à solução encontrada. O SC Braga vivia um mês de outubro nefasto em termos de resultados, pelo que urgia inverter esse rumo, na sequência da promessa presidencial de que “um ciclo de um triunfo em seis jogos não se poderia repetir”.

A estreia com um triunfo na Conference League, frente aos belgas do Gent, por dois golos sem resposta, apontava nesse sentido e colocava fim a um ciclo que muito prejudicou os objetivos da época desportiva. Contudo, a deslocação ao reduto do Nacional, de onde os bracarenses saíram sem qualquer sucesso, representou um regresso ao passado, tanto em termos de resultado como de desempenho no relvado. Os fantasmas estavam de regresso e, logo depois, a receção ao Famalicão, para a Taça da Liga, terminou numa eliminação no desempate por pontapés da marca de grande penalidade, após um empate que soube a pouco aos bracarenses. Os Deuses pareciam estar zangados com a Pedreira, depois de perdido o objetivo claro de marcar presença na final four de Leiria. Contudo, neste duelo, considero que a exibição foi bastante melhor do que o resultado e foi a ineficácia que traiu os Gverreiros do Minho. Numa análise mais profunda, houve muita coisa que me agradou enquanto adepto e que me deixava esperançado, apesar da eliminação.

Quis o calendário que, três dias depois, os famalicenses regressassem a Braga, agora para a Liga Portugal, de onde saíram vergados a uma derrota por três golos sem resposta. Desta vez, não foi o Amor de Perdição que saiu a sorrir e em festa, pois acabou por se perder no relvado bem tratado da Pedreira, onde os golos sorriram ao lado bracarense e a boa organização defensiva não ofereceu brindes ao adversário. A bola entrar na baliza adversária ajuda bastante, tanto na componente emocional do grupo de trabalho como na elevação da moral das bancadas brácaras. Muitos meses depois, surgiu uma vitória por vários golos de diferença, perante um rival que reconheceu a justeza do desfecho.

O triunfo alcançado devolveu alguma tranquilidade ao universo Braguista, pelo que se espera uma semana em que os sorrisos, ainda tímidos, ajudem na preparação de mais dois encontros. As deslocações à Dinamarca, para defrontar o AGF Aarhus, onde se pretende corrigir a imagem deixada na pesada derrota frente ao Copenhaga, e a Vila do Conde, para defrontar o Rio Ave, podem ser preparadas num ambiente mais leve e motivador. Espero, naturalmente, que a bola continue a entrar nas balizas adversárias dos Gverreiros do Minho.

 

 

António Costa

António Costa

5 novembro 2026