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Que país queremos?!

É tudo uma questão de realismo e já sem espaço para uma reflexão descomprometida e séria. A retórica não cabe aqui. Realismo, sim, e num tempo demasiado crispado. Tempo que se perde numa loucura asselvajada. O passado bem testemunha e fala por si. O que temos: um povo – colonizador e emigrante – sempre à procura de melhores condições de vida que zarpava sem nada e reconstruía as suas vidas. Com muito sacrifício e também com orgulho de ter vencido. 


 

1 - Em todo o caso, a questão parece-me pertinente: Que país queremos construir?

Estão contados 52 anos a lançar as culpas e toda a responsabilidade do atraso generalizado do país ao Estado Novo. À ditadura. A um homem só. E 52 anos à procura do tal desenvolvimento que não aparece e a combater as desigualdades sociais que não desaparecem. Não é sustentável raciocinar e argumentar que ao fim de 883 anos de existência como país soberano se pense, neste tempo, delinear as políticas, a dinâmica, os objectivos para a construção de uma sociedade mais justa e mais próspera. Toda a história lusa está carregada de pobreza. De colonização e de emigração. Ficaram por cá os velhos, os “velhos do Restelo”. 


 

2 - Entramos na democracia, regime de liberdade e de tolerância. Os prevaricadores (activistas) não têm matéria suficiente para a pôr em causa, mesmo brandindo o argumento do “Direito à Habitação” como móbil de revolta. Estamos em democracia e estamos bem. Portanto, não queiramos também culpar e responsabilizar a “fragilidade” do regime pelos insucessos das políticas encetadas e de justificar as nossas próprias frustrações. Os milhares de milhões de euros da União Europeia foram uma boa ajuda, mas, por si só, não fazem milagres. É a todos nós, portugueses, que compete fazer os milagres para mudar de rumo. Nesta vertente, percebe-se que temos um bom país, recursos naturais suficientes e temos um povo que lá fora luta e cá dentro quer subsídios. Só nos falta ter bons líderes. Líderes sérios, corajosos, ponderados e exemplares. Uns focam o discurso na tecla já rompida que “Portugal é um país pobre”. Este argumento não pega e não passa de uma descarada mentira para justificar a incapacidade desses líderes; outros, extremistas, divertem-se com o país, manipulando manifestações juvenis. Enquanto isto vai acontecendo, as crises sucedem-se e o país está na habitual estagnação. 


 

3 - Que país queremos afinal? O ambiente político que agora se vive explica bem o que queremos. Será que queremos mesmo uma democracia do espectáculo? Das lutas políticas acirradas? Das sondagens? Do comentariado? Das “acampadas”? 


 

4 - O país não está no seu melhor. E nem se prevê que melhore. Andamos nesta indefinição há algumas legislaturas, desde os governos liderados por Cavaco Silva. Depois de Cavaco, o país não cresceu, a convergência com os parceiros europeus não se fez e o endividamento real foi subindo paulatinamente. (Só este ano, o país pagará 8,2 mil milhões de euros de juros. Uma monstruosidade). A produtividade e a competitividade não dão sinais de melhoria, situando-se abaixo da média europeia. A Saúde e a Educação desalinham com os investimentos feitos. Gasta-se demais para os resultados obtidos. Resultados que indignam qualquer um. Os salários e as pensões de reforma não acompanham o custo de vida. A pobreza consolida-se e a classe média sofre da erosão tributária. A confiança esvai-se e a esperança vai-se esfarrapando. 


 

5 - E não vai bem por culpa própria. Temos um governo que quer governar. Quer resolver os problemas. Quer criar as condições para Portugal se impor como um país de oportunidades. Um país de progresso e de boa qualidade de vida. A oposição não deixa. Complica. Coloca pedregulhos na engrenagem. Arranja sempre problemas. Uns a seguir a outros. E quando se esvaziam, vão buscar os de ontem ao arquivo morto. Para os remoer. Para desgastar as boas vontades. É este registo que importa? Qual é a sua utilidade? Afinal, que país queremos? Um país de arraiais nas praças e com horas intermináveis nas televisões?

Armindo Oliveira

Armindo Oliveira

2 novembro 2026