Perante o alastrar das convulsões sociais, motivadas por carências de toda a ordem, pergunto: porquê o silêncio dos dirigentes da União Europeia (UE)? Porque se calam perante o atual estado de revolta popular em alguns dos seus países membros, incluindo Portugal? Será por causa dos fracos resultados obtidos com as suas desastrosas políticas, como a do escancarar de portas no espaço Schengen por onde penetram as mais perniciosas ideologias, como a que já houve do outro lado do muro de Berlim, ou por má administração?
Vergonhoso muro, aquele, que separava a Berlim ocidental, livre e democrática, da oriental comunista e totalitária. Algo que, pelos vistos, parece apetecível. Porquanto as palavras de ordem que mais se ouviram nas últimas manifestações (orgânicas) foram as de uma nostalgia bafienta, a cheirar a marxismo-leninismo com apelos a um novo verão quente, como o de 1975. Pelo que se for isso que o país quer, qualquer dia acorda aliado à China, Rússia e Coreia do Norte. Três ditaduras onde quem para lá vai não pia, quanto mais reclamar.
Enquanto isso, há países a deixarem-se manipular por certas forças políticas que aquilo que pretendem é fomentar o caos e a discórdia para que se ergam novos muros nas sociedades europeias. Sobretudo as do algaraviado extremismo que estabelece como ser politicamente correto tudo o que é relacionado com as suas ideias e antidemocrático e incorreto quem tenha outra forma de ver as coisas.
Com efeito, perante a rebaldaria que paira em alguns países dos 27, que contente deve estar o famoso trio, Chi-Jinping, Vladimir Putin e Kim Iong-un. Os quais já terão telefonado ao seu cúmplice, Donald Trump, a dizer-lhe: – “está a ver amigo, como temos razão. Aquela UE não tem “nervo” capaz de conter os disparates de alguma daquela maralha mascarada e envolta num lencinho que não estuda, nem trabalha, mas exige habitação na hora e cabaz e combustível para o seu popó a preços de saldo; tropa que berra pelos seus direitos, mas abomina deveres”.
De facto, aquilo que temos visto é uma Europa Ocidental a mostrar-se altiva e de peito feito em ajudar a Ucrânia a defender-se dos ataques da Federação Russa, porém, frouxa e sem reação que se veja quando ameaçada. Faltando estaleca aos seus decisores políticos para não só conterem as provocações híbridas de Moscovo, como sustentar a NATO sem os dólares dos EUA. Uma vez que nem uma força militar possui, a fim de conter os avanços do Kremlin. Assistindo de braços cruzados ao lançar de mortíferos mísseis e drones sobre o povo ucraniano.
Ao ignorar a troglodita onda wokista, Úrsula von der Leyen e seus “compagnons de route” limitam-se, impávidos, a assistir à discórdia nas sociedades da UE. Isto, depois de tolerarem a entrada de intragáveis grupelhos anarquistas, bem pagos, que promovem a desordem no seu seio destruindo, incendiando, pilhando património público e privado com obstinada afronta às forças da ordem pública. Num desmantelar dos valores democráticos, de matriz cristã, que estiveram na sua génese. Sendo caso para ser levantada a seguinte questão: “Quo Vadis” Europa?
No que toca ao nosso país, atente-se às palavras de ordem gritadas pela populaça, nas ruas citadinas, imbuídas do desejo de regresso ao verão quente de 1975. Ignorando que, nessa altura, foi necessário um corajoso 25 de novembro para travar a instauração da ditadura do proletariado; as desabridas nacionalizações e ocupações selváticas. Caso contrário, não só a democracia ficaria comprometida, como o país perderia o crédito internacional, expondo-se a uma nefasta guerra civil.
Muitos dirão não haver solução para as inquietações existenciais da humanidade em constante “rebuliço”. Mas há. Pelo que, corroborando as palavras do Arcebispo Emérito, D. Jorge Ortiga, direi estar o mundo a precisar – após incursão pelo ateísmo – de regressar à espiritualidade, crer em Deus e confiar na Doutrina Social da Igreja Católica, a fim de obter as respostas aos seus problemas.