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O Papa Leão XIV em França

Certamente que a visita que Leão XIV está a fazer a França a todos nos causa uma grande impressão. Não é uma personagem mais ou menos apagada, que, pelo lugar que ocupa na vida política ou pública dum país, vai cumprimentar as autoridades da nação que o recebe. Pelo contrário, é uma entidade que visita certamente uma terra em que não vive, mas que é capaz, por exemplo, de reunir entre 700.000 e 800.000 pessoas na Praça da Concórdia, um dos lugares mais característicos da capital francesa, onde celebrou a Santa Missa.

Não é um personagem político, mas um dirigente religioso, católico, que no país visitado

reafirma a fé e a vitalidade duma comunidade que, com uma certa frequência, como ensina a história, não tem sido tratada com muita deferência e simpatia, ao longo dos últimos três séculos, pelas autoridades civis. Por isso, há que louvar a forma adequada e correcta como o actual presidente francês recebeu o Papa Leão XIV, quando o avião que o trouxe aterrou no aeroporto parisiense.

Com esta observação, não se pretende, de forma alguma, que os políticos gauleses proporcionem à Igreja de que o Papa é o principal representante, um papel de preferência ou de privilégio, mas apenas que não se mantenham alheios ou indiferentes ao que podem observar à sua volta. Pensando bem: não tiveram qualquer responsabilidade ou iniciativa na visita papal. Salvo, suponho, a de autorizar, de aceitar e de proteger uma tão grande quantidade de gente, como é da sua obrigação em circunstâncias semelhantes, tanto mais que um acontecimento deste tipo obriga a muitas operações de segurança e protecção civil, apesar de os seus participantes serem pessoas pacíficas e não pretenderem, de forma alguma, causar qualquer problema à ordem pública.

O Santo Padre visitou e vai ainda visitar outros lugares franceses. Inevitavelmente, deslocou-se a Lourdes, lugar privilegiado, porque aí esteve presente, com uma mensagem de paz e de oração, Nossa Senhora. há quase dois séculos, transmitindo o seu amor maternal a uma jovem da região, humilde e desconhecida, que hoje se encontra em muitos altares da Igreja Católica: Santa Bernardete Soubirous.

De notar, que esta é – creio – a primeira viagem do actual Papa, Leão XIV, a um país estrangeiro. A escolha de França é muito relevante pela importância deste país no mundo internacional e também para relembrar que o catolicismo continua a ser uma característica marcante de uma boa parte do povo francês. A Santa Missa, celebrada em Paris, é uma prova clara desta realidade. E também o enorme número de conversões verificadas nos últimos tempos.

Deseja-se, certamente, que esta iniciativa de Leão XIV reacenda em muitas almas francesas e de todo o mundo a realidade da fé, a fim de que ela seja a grande inspiradora das acções de muitos fiéis, reavivando no seu coração e em todo o seu ser as obrigações de quem a professa e assume, não de um modo vago e pouco nítido, mas movido pelo que ela nos ensina e nos incita. A fé é fonte de muitas decisões e atitudes. Sempre se mostrou categórica nas suas exigências. Não se trata de uma realidade encolhida e envergonhada, quando é bem vivida. Pelo contrário: foi fonte de muitas atitudes e atividades cheias de energia e de bem fazer. Como costuma dizer-se: “Uma fé sem obras é morta”.

P. Rui Rosas

P. Rui Rosas

29 setembro 2026