A primeira fábrica de reciclagem de pilhas e baterias de lítio de Portugal já está a funcionar em Braga e dispõe de capacidade para processar até 7 mil toneladas de material por ano.
A nova unidade, denominada b.again e pertencente ao grupo dst, evita a necessidade de recorrer ao estrangeiro para o tratamento destes resíduos estratégicos.
O projeto foi dado a conhecer hoje, durante o “Electrão Open Day”, e adota como mote “transformar o fim em novo começo”.
O diretor-geral da b.again, João Gomes, explicou que o objetivo passa por «aproveitar as baterias que já não precisamos, mas que têm matérias-primas críticas úteis ainda para o futuro, para fabricar novas baterias ou para fabricar outros materiais avançados», sublinhando a urgência de «recuperar essas matérias-primas das baterias que já não utilizamos e valorizá-las novamente».
O responsável lembrou, ainda, que «as baterias que já temos são também minas, onde podemos recuperar essas matérias-primas críticas e evitar que se tenha que recorrer tanto à matéria-prima virgem».
Com uma área de armazenamento de 2 mil metros quadrados e capacidade de processamento instantâneo de 500 toneladas, a infraestrutura opera através de uma tecnologia de trituração mecânica a seco realizada a baixa temperatura, pressão e atmosfera inerte.
Este método evita a queima de materiais e garante uma taxa de recuperação superior a 95 por cento.
As 7 mil toneladas anuais processadas no concelho resultam em cerca de 3,5 mil toneladas de “massa negra”, da qual se extraem elementos estratégicos como lítio, grafite, cobalto e níquel. Atualmente, a extração final destes componentes ainda é efetuada em refinarias em França, mas o diretor-geral da empresa perspetiva que «a curto ou médio prazo, esperamos que já seja possível fazê-lo cá».
A atividade de reciclagem arrancou em março e já permitiu processar cerca de 500 toneladas de resíduos. A fábrica conta com 23 trabalhadores e opera em parceria com o Electrão, assegurando a recolha e transporte especializado em todo o território nacional.
O diretor-geral do Electrão, Ricardo Furtado, salientou a relevância da iniciativa ao defender que «o desafio já não é apenas ambiental, é também estratégico e económico», destacando que «quanto mais conseguirmos recolher e reciclar, maior será a disponibilidade futura destas matérias-primas para apoiar as transições energética e digital».