Talvez no interior mais interior de Portugal, ergue-se Lamego, cidade antiga, mas que a modernidade continua a procurar, a admirar e a percorrer.
Nesta altura do ano, a vetusta urbe converte-se num mosaico poliédrico, num exuberante caleidoscópio de tonalidades, proveniências e expetativas.
Já programámos a festa. Mas teremos conseguido programar a alegria? Será sequer possível programar a alegria?
O conspícuo sábio Joseph Alois advertia que podemos programar a festa, mas não temos possibilidade alguma de programar a alegria.
Mais. Até pode acontecer que estejamos em festa, afogados em folia e entulhados de euforia, mas vazios e órfãos de alegria.
Para que a festa destile alegria, é preciso aprimorá-la com harmonia. Com uma harmonia que ninguém como a Mãe consegue oferecer.
É por isso que Ela, Nossa Senhora dos Remédios e Rosto de Lamego, nos faz levantar tão cedo.
As festas incluem espetáculos notívagos, onde o ritmo e a vivacidade são a tónica dominante na cidade.
Não olvidemos, porém, que o coração da festa começa pela manhã com a Novena, que nos cobre de emoção e enche de paz o coração.
Em tempo de festivais de verão, porque não promover um «Spiritusfest», de 30 de agosto e 7 de setembro?
É uma proposta inesperada, sem dúvida radical, mas de uma radical serenidade, portadora de profunda e untuosa felicidade.
Estão, pois, todos convocados para escalar os 616 degraus do Escadório até ao mais luminoso promontório. Lá se encontra o Santuário, esse «ginásio espiritual» onde a Mãe vitamina o nosso ser decaído.
Estas festas ocorrem quando se completam-se 265 anos sobre a inauguração da Casa da Mãe. De 22 de julho de 1761 a 22 de julho de 2026 já transcorreu um longo percurso de acolhimento, agregação, unidade e dedicação.
Ao mesmo tempo, nas festas quase a começar faz 150 anos que a eletricidade entrou pela primeira vez na cidade. E, na verdade, as festas continuam a ser um compósito de luz e cor, que fazem desfilar copiosas lágrimas de gratidão e amor.
Atenção igualmente à Procissão de Triunfo, onde a Mãe vai passando, olhando, acenando e abençoando.
Desta vez, virá a imagem do primeiro santo português, que está tumulado ao lado do primeiro rei de Portugal. De quem se trata? Dia 8 de setembro, todos ficaremos a saber.
Que as festas, com os seus noturnos momentos de diversão, não ofusquem a prioridade e o encanto da matutina oração.
Tenhamos presente que de Lamego Nossa Senhora dos Remédios é a Primeira Dama. É Ela que, sem falar, mais gente para aqui chama.
Que as festas sejam um farol de paz, unidade e comunhão. Não faltemos ao novenal «Spirutusfest».
É esse vendaval de espiritualidade que vertebra todo o ciclo festivo. É nesse silêncio recolhido que verdadeiramente honramos a nossa Mãe e Padroeira, Aquela que nos acompanha a vida inteira!