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O desporto pós 25 de abril

Em tempo de comemorar 52 anos pós 25 de abril poder-se-á afirmar, sem qualquer hesitação, que a exemplo do que aconteceu nas mais diversas áreas da sociedade portuguesa também no desporto houve muitas e variadas alterações significativas, não só na organização como na gestão no planeamento e na especialização.
Um fator determinante para esta aparente melhoria muito contribuiu a aliança entre o poder político e o desportivo, quem não se recorda de ver políticos de braço dado com o poder desportivo, o que contribuiu para a criação de novos espaços físicos para a prática desportiva, quer sejam campos de futebol, piscinas, pavilhões, pistas de atletismo, etc., apesar de na grande maioria dos casos ter havido desequilíbrios entre as necessidades reais e a finalidade a que se destinavam. O que é um facto é que hoje estamos muito melhor apetrechados do que há 5 décadas atrás, embora nem sempre tenha sido sinónimo de crescimento, mas que contribuiu para o desenvolvimento desportivo disso não haverá qualquer duvida.
Comparando o antes 25 abril e o depois teremos que relembrar que no década de 70, anterior ao 25 de abril, os jogadores eram propriedade dos clubes, que podiam mantê-los por tempo indeterminado exercendo a famigerada lei da opção. Hoje, nesse ponto de vista, não estão melhores pois pertencem a fundos de investimento ou a empresários que muitas vezes nem o rosto conhecem, mas que ditam o seu futuro. Outra situação são os clubes a impedir os jogadores de comunicar, agarrados a regulamentos internos que ninguém aceitaria noutra profissão.  Cinquenta e dois anos depois, nem se pode dizer que estejam muito melhor, apesar do aspeto financeiro ser aparentemente superior, obviamente com as devidas exceções. Um dos aspetos negativos foi que o principal campeonato encheu-se de estrangeiros, o que sucede um pouco por todo o mundo, com a aprovação da controversa lei Bosman. Apesar de alguns jogadores auferirem salários milionários, em média, são médio/baixos e o futuro sombrio para muitos jogadores levam a que tenham que emigrar para destinos pouco atraentes como são os mercados de Chipre, Roménia e Arábias. O mesmo acontece com os treinadores, visto que muitos deles seguem os mesmos caminhos.
Na área dos dirigentes pode considerar-se que muitos deles são, vezes de mais, pouco competentes. Não me recordo de alguém que ousasse distinguir-se pelo desportivismo e pelos valores que o desporto encerra tendo apenas a preocupação com o bem comum. Sem formação, limitam-se a pensar na melhor forma de derrotar o adversário, como foi possível observar durante estas décadas, os métodos utilizados foram (são) muitas vezes condenáveis, em que a rivalidade é substituída pelo ódio, e onde os presidentes dos principais clubes, apoiados em poderosas máquinas de comunicação, reclamam para si o papel principal de atores. Já ao poder político se deveria exigir muito mais pois uma das nossas lacunas continua a manter o nosso país na cauda da prática desportiva, quando hoje se reconhece a sua importância e o papel que o desporto deve ter numa sociedade moderna. 
Realce-se o progresso técnico e tenológico, que chegou ao treino desportivo e à organização dos clubes, onde se integraram especialistas nas mais variadas áreas do conhecimento. Aqui pode concluir-se que o 25 de Abril chegou também ao desporto português!

 

Luís Covas

Luís Covas

1 maio 2026