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Todos à Pedreira

O tempo parou em Braga, com vista à preparação cuidada da meia-final da Liga Europa. Nada mais importa por agora, porque o sonho está vivo e pode tornar-se realidade. O Friburgo (Freiburg, sem tradução para português) é o rival que se segue neste caminho que se deseja ver apenas terminado em Istambul, cidade onde se irá realizar a final.

A eliminatória anterior, frente ao Bétis de Sevilha, deve servir de aprendizagem geral, porque o empate registado na Pedreira, na primeira mão, não impediu a discussão da eliminatória em Sevilha, onde uma noite memorável permitiu a superação de tão grande obstáculo. Certamente, havia muita gente desejosa de um insucesso bracarense que não aconteceu, mas a estrada pôde continuar nesta longa aventura europeia. O SC Braga ganhou, com o seu desempenho em Sevilha, um respeito adicional no mundo do futebol, especialmente a nível internacional, porque por cá o silêncio e a ostracização por parte dos meios de comunicação social eram a regra, ainda que existissem felizes e raras exceções. A lição retirada dos jogos frente ao Bétis de Sevilha reforçou a ideia de que uma eliminatória apenas termina no final da segunda mão e que, nesta fase, ninguém pode esperar facilidades de qualquer espécie.

Atingida a meia-final europeia, como único sobrevivente português, tornou-se necessário encaminhar a conquista do quarto lugar, visto em Braga como o objetivo mínimo a atingir. O triunfo tangencial frente ao Arouca FC e o empate diante do FC Famalicão aliaram-se à vitória no reduto do Casa Pia, em acerto de calendário, para ampliar a vantagem sobre os famalicenses, que estão a realizar uma época nunca antes vista por aquelas bandas. Acredito mesmo que a equipa que joga sob o lema do “amor de perdição” irá conseguir um inédito apuramento para as competições europeias da próxima temporada. Faço votos para que esse eventual apuramento aconteça no quinto lugar, uma vez que o quarto é desejado em Braga para maior conforto no seu crescimento.

Agora é tempo de centrar todas as atenções na receção aos alemães do Friburgo, no último dia do mês de abril. A Pedreira volta a engalanar-se para mais uma noite europeia, neste 19.º encontro europeu da época. Julgo que não há registo de uma campanha tão longa nas competições europeias por parte de outra equipa portuguesa até aos dias de hoje. Há mais dois encontros garantidos, na última batalha antes da final, onde reside o desejo sem limites de todo o universo do SC Braga de estar presente.

Neste momento ímpar, lanço aqui um apelo para que todos compareçam na Pedreira, prestando o apoio de que a equipa precisa e que tanto merece no contexto internacional. A envolvência do duelo deverá sublinhar esta fase diferenciada, em que só faz sentido jogar juntos, sofrer juntos e tentar juntos a superação de uma batalha que se adivinha complicada, mas possível de ultrapassar.

A equipa do SC Braga jogou nos Açores com elevada rotatividade no onze, como forma de preservar os jogadores que irão entrar no relvado frente ao Friburgo, numa gestão pedida a Carlos Vicens. Agora, o que se espera é que cada um supere todos os limites até aqui conhecidos, com o objetivo de vencer mais uma batalha europeia, neste percurso imenso que nos pode conduzir a Istambul. Sejam Gverreiros e escrevam mais uma página dourada da nossa história.


 

António Costa

António Costa

30 abril 2026