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Redes sociais ou…antissociais?

O surgimento das redes sociais trouxe uma nova forma de comunicação, permitindo interagir sem necessidade de chamadas telefónicas ou encontros presenciais. Com o passar do tempo, tornaram-se um espaço de partilha, divulgação de atividades e expressão de opiniões. No entanto, tornaram-se também, e cada vez mais, um palco de confronto.

No meu caso, utilizo-as para publicar fotografias de passeios de bicicleta, divulgar atividades na escola, momentos na Pedreira ou dar visibilidade a artigos de opinião em jornais regionais. Pontualmente, recorro ao humor, sobretudo em contexto desportivo. Foi precisamente aí que percebi uma realidade preocupante: há temas, e sobretudo clubes, sobre os quais parece não ser permitido brincar.

Basta uma publicação mais irónica para desencadear reações desproporcionadas. Não pelo que foi escrito, mas pelo que alguns entendem - ou escolhem entender. A leitura apressada, ou simplesmente enviesada, transforma críticas humorísticas em ataques pessoais, e o espaço de debate rapidamente se deteriora.

Após um brilhante jogo europeu, decidi brincar com o tratamento dado por um jornal desportivo ao SC Braga. Pedi à IA uma capa fictícia, onde surgia o presidente de um outro clube com “dor de dentes”. A intenção - pensava eu - era clara: criticar, com humor, a linha editorial do jornal. Não faltaram reações indignadas, acusando-me de desrespeito e enxovalho para com o presidente e respetivo clube.

Noutro momento, ao comentar uma informação incorreta divulgada por uma rádio nacional sobre a classificação do campeonato, escrevi apenas: “Os problemas com a matemática, ao que parece, são transversais ao país.” Bastaram noventa minutos - e o resultado de um jogo, entretanto realizado - para que a realidade mudasse. Mas isso foi irrelevante para muitos dos que reagiram. Seguiram-se insultos e acusações, ignorando completamente o contexto e o momento da publicação.

Este tipo de comportamento não é isolado. Ainda recentemente, circularam nas redes comentários sobre futebol de formação que revelam bem o clima instalado: crianças de oito ou nove anos a serem rotuladas como “foras de série”, enquanto outras são desvalorizadas com base em suposições sobre favorecimentos. Mais do que opiniões, emitem-se juízos precipitados, carregados de insinuações.

Importa lembrar que nestas idades, o desporto deve ser sobretudo um espaço de aprendizagem e diversão. O facto de um jovem o praticar no clube onde o pai trabalha é natural, e o seu desempenho numa fase tão precoce está longe de determinar o futuro.

Impõe-se uma reflexão: onde termina a liberdade de expressão e começa o abuso? Infelizmente, ao que parece, nem no Parlamento o sabem. O comentário crítico, o humor e a opinião fazem parte de uma sociedade saudável. As redes sociais deram voz a todos, mas essa liberdade traz responsabilidade. Ler antes de reagir, interpretar antes de atacar e, sobretudo, respeitar em vez de ofender, são princípios básicos que parecem, por vezes, esquecidos. Porque o verdadeiro problema talvez não esteja naquilo que se publica, mas na forma como se lê, ou na pressa com que se responde.


 

Carlos Mangas

Carlos Mangas

1 maio 2026