Para termos consciência da necessidade de poupar ao máximo a utilização de transportes privados nas nossas deslocações, utilizando antes transportes públicos, não era precisa sequer esta crise da subida do preço dos combustíveis e do gás provocada pela guerra no Médio-Oriente.
Não nos parece que tal esteja a acontecer e podemos dar um bom exemplo a partir da Universidade do Minho. Talvez as pessoas não saibam que no Campus de Gualtar há mais de 1.800 lugares de estacionamento e eles não são suficientes para acolher, em tempo de aulas, todos os automóveis que procuram os diversos parques nele existentes, ocupando mais de vinte hectares.
Impressiona saber que muito mais de 2.000 automóveis (há utilizadores que entram 2 vezes por dia no Campus, particularmente na hora de almoço) estacionam ali todos os dias úteis.
Para evitar esta situação haveria que encarar este problema de frente, articulando a actuação da Universidade com a do Município de Braga.
Dou o meu exemplo. Ultimamente tenho utilizado o comboio para me deslocar de Famalicão para Braga. Há comboios de hora em hora e é rápida a viagem (muito melhor ainda nos comboios rápidos). Pena é que não haja também autocarros rápidos de Famalicão para Braga (já houve).
Ao chegar à Estação tenho duas possibilidades para chegar ao Campus de Gualtar: uma é o táxi (não utilizo a Uber) outra é o autocarro. Tenho experiências destas duas formas. O táxi é mais rápido (quando há táxis na Estação) mas é caro e ainda não temos o hábito de juntar duas ou três pessoas para tornar a viagem mais em conta.
O autocarro é muito mais barato, mas é uma viagem incómoda a vários títulos. Na hora de ponta muitas pessoas têm de ir de pé. Por sua vez, o piso das ruas e avenidas é muito mau e isso sente-se bem na trepidação do autocarro e quando chega a Gualtar ele não entra no Campus. Quem quer ir para uma das escolas ou outros edifícios tem de andar a pé (ao sol ou à chuva) durante quase tanto tempo como demorou a viagem, desde a Estação.
Isto demonstra que não há incentivo para utilizar transportes públicos. E deveria haver. Quanto aos táxis deveria ser normal a utilização partilhada deste meio de transporte, começando as pessoas a procurar essa prática. Quanto aos autocarros, para além da urgente reparação dos pavimentos, eles deveriam entrar no Campus, percorrendo-o ainda que para isso devesse haver um transbordo à entrada para autocarros mais pequenos. Esses autocarros deveriam ser utilizados preferentemente por pessoas com mais problemas de mobilidade por razões de idade ou outras.
O exemplo do Campus de Gualtar é apenas um e a circulação de pessoas dentro da cidade deveria ser igualmente incentivada, desde logo nos acessos a lugares de muita procura, adaptando-se o que acima dissemos às particularidades desses lugares. Depois, o acesso a parques de estacionamento privado deveria ser desincentivado através de preços superiores para quem não provasse que a utilização do transporte privado era necessário ou recomendado.
Este problema deveria estar na agenda do Município. Provavelmente está, mas julgo que não há a divulgação devida. Tentaremos procurar mais informação.
E quanto à Universidade não custaria muito colocar junto do Campus ao lado da publicidade comercial e político-partidária existente, painéis de incentivo à utilização de transportes públicos de forma criativa. A Universidade deveria dar o exemplo.
Muito mais haveria a dizer sobre este tema e a ele tenciono voltar.