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Reflexões olímpicas

Paris’ 2024 foi o palco, pela terceira vez na história, das edições dos Jogos Olímpicos e, também, dos Paralímpicos. Esta edição foi repleta de inovações, em especial na aplicação da inteligência artificial (IA), tecnologia, comunicação, ambiente nas provas, medidas ecológicas, instalações e também na introdução de novas modalidades. Muitos detalhes, neste maior evento desportivo do mundo, foram cuidadosamente articulados de forma a que a música, a festa, a segurança, o desporto, redução da pegada ecológica, fossem permanentemente uma realidade. Nem tudo foi um mar de rosas, mas pode-se dizer que o ambiente que Paris viveu foi extraordinariamente feliz e inovador.

A cerimónia de abertura, realizada no coração da capital francesa, apesar do elevado risco na segurança, rompeu com o que está instituído. No entanto, fiquei com a noção que, para quem assistiu no local não deve ter sido fantástico, contudo na transmissão televisiva resultou em pleno. Um cenário distinto da cidade luz.

A eficiência energética, preocupações ambientais e de sustentabilidade, estiveram presentes em todos os momentos desta edição, com a preocupação de reduzir a pegada ecológica deste megaevento. Os transportes públicos reforçados, a vila olímpica com restrições ao desperdício e aumento da sustentabilidade, foram situações que fizeram destes jogos, os mais “ecológicos” até ao momento. Obviamente, o que foi uma medida ecológica, em não colocar ar condicionado nos mais de 7.500 quartos, foi um aspeto negativo apontado por muitos atletas, em face do calor que se fez naturalmente sentir nesta altura do ano, apesar das medidas arquitetónicas tomadas.

Quase impercetível à opinião pública, mas cuidadosamente aplicada, foi a utilização da IA como meio de controlo e vigilância dos locais de acesso, de competição, dos grandes aglomerados das pessoas, para além dos aeroportos, caminhos de ferro e outros, tudo em nome da segurança.

Também nas transmissões televisivas foi clara uma grande melhoria da informação e do espetáculo. Constantes quadros estatísticos nunca utilizados em transmissões televisivas, informações complementares, análises gráficas dos desempenhos desportivos, repetições com visionamento a 360º ou em movimento lento (o que permitia a observação plena de pormenores técnicos), ou de software na gestão desportiva de cada modalidade, foram melhorias significativas para o interesse nas transmissões televisivas.

Outro aspeto inovador, foi o protagonismo dado a algumas instalações desportivas que foram construídas em locais emblemáticos da cidade, criando cenários fantásticos às modalidades, fugindo do tradicional e que fez associar os JO à divulgação cultural e urbanística da cidade do amor.

Uma constatação extraordinária foi a participação da assistência no espetáculo. O sorriso, as palmas, a positividade, o apoio incondicional, o fair-play, a música, foram uma constante em todas as modalidades, e quem ganhou com isso foram os próprios atletas.

As novas modalidades que foram escolhidas é que, nalguns casos, não foram uma inovação muito feliz. Apesar do respeito por todos os participantes, algumas modalidades do programa olímpico de Paris carecem de uma avaliação profunda para se tornarem “modalidades permanentes”. Os tempos modernos exigem inovação, mas… com alguma tradição.


 

Carlos Dias

Carlos Dias

6 setembro 2024