twitter

No aproveitamento é que está o ganho. Ou não será?

 


 

 


 

Na política lusa, não há inocência. Espertos, sim, e com fartura. E caras-de-pau muito mais. Pela sua acção no quotidiano, pela sua própria dinâmica, os partidos querem o poder ou estarem na órbita do poder. Qualquer um. Seja qual for. Pequeno ou grande. Esta é a realidade real. Não vale a pena entrar em grandes argumentações ou apuradas reflexões para provar este axioma.


 

1 - O tema actual é a eleição do Presidente da República no dia 08 de Fevereiro. Pelo desenrolar dos acontecimentos, o ex-secretário-geral do PS, António José Seguro, desterrado forçado em Penamacor, a tratar dos azeites e dos vinhos, está numa boa posição para chegar a Belém. O cenário discursivo e lateral que os neo-socialistas apresentam é este: afirmam com “clareza” que não vão retirar dividendos políticos da possível eleição de Seguro. Ora, isto, toda a gente sabe, é uma mera falácia para querer enganar a concorrência. Os neo-socialistas não perderão, por certo, esta soberana oportunidade de sair do limbo em que estão mergulhados.


 

2 - Perante esta evidência, ninguém acredita que os não-socialistas não se colarão à possível vitória de Seguro. Na política, tudo se aproveita - palavras, actos, gestos, vidas passadas - para denegrir o adversário; para se parecer mais ético que ninguém; para aparecer como vencedor; para contabilizar votos. A verdade é que nenhum partido chega ao poder sem os votos. Portanto, a virtude está no aproveitar. E nas oportunidades. Seguro é uma rara e boa oportunidade.


 

3 - Neste tocante, de aproveitamento político, é bom recordar aquelas palavras de Passos Coelho (PC), que ainda hoje são muito usadas pela oposição de esquerda em maré de fragilidade: “ir além da Troika”. Frase anímica de PC que revelara, no tempo, muita coragem, firmeza e certeza de retirar o país das garras dos credores. Frase que encorpava uma vontade férrea de se livrar desta penhora deixada pela bancarrota socrática o mais cedo possível. Frase que exigia um trabalho dobrado, sério e determinado, para superar as enormes dificuldades instaladas e impostas. Qualquer cidadão de boa fé percebia o alcance e o sentido das palavras de PC. Contudo, estas palavras “malditas” foram e são exploradas ainda hoje até ao tutano por má fé, por má consciência e por interpretação temporal errada só para criar um ambiente de desresponsabilização neo-socialista, de agressividade social e de incompatibilidade ideológica. Ou seja, PC - diziam eles - iria juntar às dificuldades impostas pelos credores ainda mais dificuldades sociais, não fosse esta estratégia para se tentar resolver o problema no mais curto espaço de tempo. A verdade é que PC conseguiu fazer a “saída limpa” contra todas as projecções que estavam delineadas e contra todos os desejos de falhanço bem queridos pela intratável oposição de esquerda.


 

4 - Há muita gente incomodada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, não manifestar apoio a qualquer um dos candidatos. Esta atitude tem causado nas hostes “seguristas” muito desconforto e críticas apressadas com laivos de raiva e de ferocidade. O comentariado da linha 1917 não aceita esta decisão. Por isso, procuram todas as coisinhas para fazer interpretações completamente estapafúrdias. No meu ponto de vista, a decisão de Montenegro está correcta, porque o candidato que apoiava está fora da corrida. Um, pouco lhe diz; e o outro nada. Além disso, tem muitas mais coisas na governação para se preocupar, para pensar e para decidir. 


 

5 - Eu sei que Seguro foi escorraçado (mal) do Rato. Eu sei que se exilou durante 11 anos no mundo rural. Eu sei que Seguro era no tempo costista um político conotado com a “direita”. Contudo, foi um político que ajudou o país a sair do buraco neo-socialista. Eu sei que António Costa tudo fez para fazer desaparecer o PSD. Eu sei que Passos Coelho, ainda hoje, é odiado pela esquerda. Eu agora também sei que “livristas”, comunistas, trotskistas e neo-socialistas já escolheram o candidato. O que eu não percebo, são as razões que levam muitos liberais e sociais-democratas a juntarem-se ao amontoado para a eleição de Seguro. Será por causa do mal menor? Será pelo outro candidato, André Ventura, ser “fascista”, como “eles” dizem? 

Armindo Oliveira

Armindo Oliveira

1 fevereiro 2026