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Contra a demagogia, marchar, marchar!

Somos um País de especialistas. A sua voz, sábia e indignada, faz-se ouvir, diariamente, e até há os que se organizam, publicando manifestos capazes de emocionar qualquer cidadão distraído, com as soluções que apresentam para tudo. Admito que alguns o farão por imperativos de consciência. Trata-se de um exercício de cidadania que só nos faz bem! Mas, em relação à maioria, é impossível não perguntar por onde andavam quando o País caminhava, desgovernado, para o abismo do colapso. Em vez de cidadãos verdadeiramente empenhados na defesa do bem comum, dá a impressão de que aquilo que abunda mais não é do que gente só preocupada em sentar-se à mesa do Orçamento de Estado.

Rosa Maria Arezes
18 Fev 2013

Enquanto deu, trataram de se banquetear, pouco incomodados com o incêndio ruinoso para que estavam a contribuir. E agora que a iminência da bancarrota deixou a mesa vazia e a casa a arder, ei-los a erguerem-se, sábios e indignados, contra os que tratam de apagar as chamas e de salvar o País do buraco para que foi atirado, com o silêncio conivente ou até a responsabilidade cúmplice.
A sua dedicação à “causa pública” é tal que tanto acusam que tardam as reformas, como lamentam que não se foi suficientemente longe; tanto denunciam a ausência de medidas, como dizem que sabe a pouco; tanto criticam que não se corta nas gorduras do Estado, como choram as situações de desemprego daí resultantes. E são os mesmos que, anos a fio, nunca tiveram uma palavra quanto ao descalabro reinante.
Sem qualquer pudor cívico e intelectual, mesmo com a mesa vazia e a casa a arder, não se cansam de vender ilusões e de manipular os (re)sentimentos das pessoas. Basta olhar para o vazio das suas abordagens, sempre ao gosto daquilo que o povo gosta de ouvir.
O que não apresentam são propostas concretas e viáveis. Nem explicam por que é que, entre 2005 e 2011, a taxa de desemprego quase duplicou. Tudo isto num período em que foi injectada na economia uma fortuna colossal, a que não é alheio o brutal aumento da nossa dívida pública, cujos juros agora nos asfixiam. E com toda esta abundância o que conseguiram, para além do aumento do desemprego e da dívida, foi levar o País à iminência da bancarrota.
Recorde-se, a propósito, o que há um ano se dizia no contexto das presidenciais francesas. François Hollande prometia o paraíso do crescimento, com ele a Europa conheceria um mar de rosas. E, por cá, não faltou quem aplaudisse esta narrativa de um “admirável mundo novo”.
Afinal, o milagre de Hollande não se vê. E, se a Europa está, agora, mais estável tal não se deve ao Presidente gaulês.
Uma coisa é a retórica populista e outra é a vida. E a vida o que exige é rigor, seriedade, verdade, princípios em nome dos quais o actual Governo está a trabalhar, tomando medidas impopulares para corrigir desvarios que outros cometeram, por acção e/ou omissão.
Incapazes de colaborar, a estes, pedir-se-ia, pelo menos, um pouco de vergonha e de dignidade, um pouco de memória!




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