Fotografia:
A nobreza da naturalidade e da simplicidade (I)

A naturalidade e a simplicidade são majestosas. Todos os homens autênticos foram naturais e simples “como os lírios do campo”. O que está de acordo com a natureza é sempre o melhor, enquanto que o que lhe é contrário é sempre desagradável e desvirtuado. A naturalidade é um estado de ser fácil de adquirir, se nos apresentarmos como somos, esquecendo a impressão que, muitas vezes, tentamos causar perante os outros.

Artur Gonçalves Fernandes
25 Out 2012

A humanidade afastou-se imenso da sua “condição natural”. O homem que pretende voltar à origem da sua própria vitalidade tem que romper as falsas barreiras da vida e os artifícios da nossa civilização, que se afasta cada vez mais das realidades da vida. O homem bem avisado procura renovar-se com as coisas que pode ver, ouvir e sentir, pelo contacto direto com a natureza, atuando por suas próprias mãos, sem se desviar da essência da sua natureza.
Poucas coisas são tão vigorantes para o espírito humano e para o corpo exausto como uns dias ou semanas de contacto íntimo com o sol, a água e os campos. Fugir das cidades de cimento e asfalto pode compensar (mais profunda e eficazmente que qualquer tranquilizante artificial) as futilidades, as frustrações, os enganos, os desencantos devidos aos problemas do dia a dia. Essas lutas interiores não só são reais como tornam imperativo o regresso periódico à nascente que a humanidade outrora tão intimamente conheceu, ou seja, o mundo natural.
 No meio da confusão e da preocupação da vida moderna, o nosso espírito suspira pela simplicidade. Desejar uma vida simples é um dos objetivos mais importantes dos seres humanos. O homem moderno torna a sua vida complicada e confusa. Estamos a criar os nossos próprios problemas e conflitos, o que nos torna irritáveis, fictícios e infelizes. Oscar Wilde escreveu: “A vida não é complexa; nós é que somos complexos.” A vida é simples e as coisas simples são as melhores. A nossa vida perde-se em pormenores e em esquisitices. A pressa e o bulício da vida contemporânea são os desperdícios mais reais e profundos da palavra. Andamos tão atarefados atrás de objetivos fora do nosso alcance ou então tão supérfluos que não damos conta dos valores perenes e autênticos que estão mesmo à mão de semear.
Nos tempos que correm, todos os problemas de ordem económica, financeira e social só existem porque o homem complicou a vida de tal modo que não sabe como sair da teia em que se enredou. Veja-se a crise em que nos encontramos por causa da leviandade, da incompetência, da impreparação e da precipitação dos nossos governantes do passado recente e dos atuais, que causaram, permitiram e estimularam o esbanjamento do património e do erário públicos, através de luxos, obras dispensáveis, protocolos, branqueamentos de capitais, vencimentos chorudos de gestores e responsáveis pelo bem comum que foi delapidado em proveito próprio, empenhando as gerações presentes e futuras que estão a mergulhar no abismo da pobreza de onde dificilmente sairão. Estamos a chegar à concretização do tão propalado conceito de “terra queimada”. Eles complicaram de tal modo o progresso que tornaram impossível a simplificação que o poderia fazer resolúvel. Esqueceram os valores humanos que são mais valiosos que qualquer progresso técnico que, sem eles, foi, é e continuará a ser desvirtuado, desonesto, explorador, atentatório e violador dos mais elementares direitos do homem.




Notícias relacionadas


Scroll Up