No entender de D. Jorge Ortiga, este drama humanitário em Cabo Delgado deveria ser colocado na agenda do Parlamento português por algum deputado que «tivesse consciência de universalidade» e «reconhecesse os laços que existem entre Portugal e Moçambique», no sentido de ser aprovada uma «ajuda muito concreta» a Moçambique, que «pode ser militar, económica ou de outro tipo».
Este assunto já chegou ao Parlamento Europeu, que votou uma resolução, apresentada pelo PPE. O vice-presidente do Partido, o eurodeputado português Paulo Rangel, diz que o o objetivo «é tentar encontrar apoio financeiro, logístico e em recursos humanos para lidar com a situação humanitária e para travar a onda de ataques».
Os ataques e perseguições de grupos terroritas têm provocado centenas de mortes e espalhado o medo na província de Cabo Delgado, levando milhares de pessoas a abandonarem as suas casas, pondo-se em fuga para lugares do país onde possam encontrar alguma segurança.
Fogem sem os seus haveres e sem saber onde viver e o que fazer. Esta onda de deslocados vindos das zonas de conflito chegou à região de Pemba, o coração da província, onde a Arquidiocese de Braga tem uma Missão, na paróquia de Santa Cecília de Ocua.
O bispo daquela diocese, D. Luíz Lisboa, no meio deste cenário preocupante, não se tem cansado de alertar publicamente para a escalada de violência e para o drama humanitário que isso está a provocar na região.
O Papa Francisco, a partir do Vaticano, denunciou os ataques nesta província moçambicana, pediu o fim da violência e manifestou a sua proximidade ao povo moçambicano.
Também a Arquidiocese de Braga já manifestou a sua solidariedade e tem chamado a atenção para esta crise humanitária que afeta a diocese irmã de Moçambique, para a qual tem enviado apoios.
«Nós estamos em Ocua, paróquia que muito estimamos e à qual estamos a dar um relevo e importância muito grandes, e sentimos o drama que se está a viver naquela região de Moçambique, assumimo-lo como nosso e gostaria que os cristãos da Arquidiocese de Braga tomassem consciência do que está a acontecer», diz o Arcebispo de Braga.
Referindo que estas causas humanitárias «exigem uma cerca sensibilidade», D. Jorge Ortiga desafia cada um a «interrogar-se sobre o que pode fazer por aquelas pessoas que estão a sofrer, sem excluir os políticos com assento parlamentar e os responsáveis pelas instâncias governamentais do nosso país.
A Arquidiocese de Braga tem algumas campanhas em movimento, organizadas pelo seu Centro Missionário, para ajudar pessoas da província de Cabo Delgado que estão a viver em situações desumanas, sobretudo por causa dos ataques e perseguições de grupos armados insurgentes.
Estima-se que haja mais de 250 mil pessoas deslocadas das zonas/comunidades atacadas, que estão espalhadas por todo a província e províncias vizinhas, mas também num campo de deslocados em Mutege, a cerca de 40 Km de Pemba. Alguns deslocados já chegaram também a Ocua.
Na paróquia de Ocua, que tem 98 comunidades espalhada por um território quase do tamanho do da Arquidiocese de Braga, o Centro Missionário de Braga, através da sua equipa missonária, está a entregar a famílias deslocadas kits alimentares com o apoio da Cáritas Diocesana de Pemba, bem como a disponibilizar parcelas de terreno na sua "machamba" (fazenda) para que essas famílias possam trabalhar a terra e não fiquem dependentes dos alimentos fornecidos pela Cáritas ou então a sobrecarregarem as famílias onde estão alojadas.
O CMAB está ainda a colaborar nesta causa humanitária através da campanha "Juntos por Cabo Delgado", lançada em julho com o envolvimento de vários parceiros como a Cáritas Portuguesa e a Cártitas de Moçambique, a Universidade Católica, os Leigos da Boa Nova, os Missionários Combonianos do Espírito Santo, a Infância Missionária de Balasar, a Missão Amares, entre outros.
O dinheiro angariado é entregue à Diocese de Pemba para assegurar não apenas alojamento e distribuição de comida aos deslocados, mas também apoio psicossocial aqueles que ficaram traumatizados, por agresões, perda de familiares, perseguições, destruição de suas casa e aldeias, etc.
Campanha "Juntos por Cabo Delgado"
Os donativos podem ser feitos através da conta PT50 0010 0000 0276 7480 0020 8 (Banco BPI); MB Way 927 829 362; e página de Facebok do CMAB.
[Notícia completa na edição impressa do Diário do Minho]Autor: Jorge Oliveira