Ainda há muita gente no espaço político nacional que embarca no grande sofisma, talvez por convicção, de ser a esquerda, particularmente, o PS, a única força política capaz de resolver o vergonhoso problema da pobreza e de todas as outras mazelas que afectam a vida dos portugueses. Essa gente, ingénua, manifesta simplesmente um estado de alma, uma convicção puramente ideológica e sem sustentáculo realista, pois os problemas sérios existem, avolumam-se e cristalizam como são os casos da Saúde, da Justiça, da Educação e, agora, da inflação para não falar da “eterna” estagnação económica. Este partido, o PS, historicamente nada resolveu, nem resolverá seja o que for, porque tem sido governo há tempo demais e já deu para mostrar, no terreno, toda a sua valia nesta e noutras matérias. Se recuarmos no tempo, verificamos que as governações socialistas anteriores deram sempre borrasca. Borrasca económica, financeira e social, além de provocarem um recuo assinalável no ranking no desenvolvimento social.
1 - Uma das falácias da esquerda, repetida até à exaustão, prende-se com o combate às desigualdades sociais. De facto, esta “incompreensão social” é uma chaga civilizacional. Inaceitável no séc. XXI e no espaço europeu. Contudo, não basta dizer que “vamos combater” o flagelo das desigualdades ou reconhecer o problema. Isso é fácil e mais fácil ainda é encher a boca como tem acontecido. O que é preciso é mitigá-lo de forma clara e evolutiva. De forma responsável e eficiente. Para isso, é preciso tomar medidas sérias e corajosas e não assentar a resolução no blá, blá ou no “para o ano é que vai ser”.
2 - Uma coisa, neste contexto, me parece certa: Não é com subsídios e mais pseudo-subsídios que o problema se resolverá. Esta “terapia” de distribuição gratuita dos magros recursos financeiros é fácil de aplicar e tem sido usada pelos socialistas há longo tempo, cujos efeitos de evolução social têm sido praticamente nulos. O problema existe claramente e é preciso dar-lhe um tratamento adequado e menos vozeirado. Passa, sem dúvida, por fortes investimentos, se possível privados, e pela criação de riqueza com crescimentos económicos a barrar os 4% como defendem os especialistas.
O emprego de qualidade, a sustentabilidade salarial e uma quebra no endividamento são os melhores garantes para se combater os desequilíbrios sociais que impregnam a sociedade nacional de hoje que vai empobrecendo inexoravelmente. De resto, é propaganda e inócua que só serve para apanhar os incautos e iludir os já convencidos.
3 - Consultando números da Pordata: a taxa de intensidade da pobreza, em 2020 estava nos 27,1%, quando, em 2015, período negro da Troika, se situava nos 26,7%. Isto quer dizer, de forma linear, na minha perspectiva, que, na matéria de pobreza, se estava melhor na altura do Resgate Financeiro do que agora, apesar deste governo ter recebido ajudas monstruosas da União Europeia, em dinheiro vivo, associada a uma carga fiscal, a maior de sempre. Essa carga incompreensivelmente pesada penaliza de forma irremediável as pessoas com menores rendimentos. Portanto, as pessoas mais vulneráveis. O certo, é que, os socialistas e a esquerda extremista falam muito em desigualdades, mas nada fazem para alterar este estado de coisas. O que estão a fazer é nivelar a sociedade nacional por baixo. Assim, continuaremos a cair no ranking e a ficar mais pobres e dependentes do Estado-papá. E é isso que a esquerda gosta.
4 - Oito meses de maioria absoluta. E o que se está a ver é muito mau. E feio. E polémico. O país está atolado e enrodilhado em casos. E em casinhos. Agora, mais uma demissão. Outros personagens aguardam o desenvolvimento do seu caso. Sempre problemas. Problemas que confundem as pessoas. Não se entende tanto disparate. Ninguém entende. Nesta perda de tempo, o país não cresce. A inflação vai comendo o poder de compra. As pessoas vivem paralisadas. E cabisbaixas. Com dificuldades acrescidas para pagar os seus compromissos. Daí, surgem dívidas e resignação. As expectativas diminuem. A democracia sofre, perante tanto desaforo. Tenta-se respirar outro ar para enfrentar esta gente desatinada que se mete facilmente em sarilhos. Um país ensarilhado. Perdido. E sem rumo. Ao Deus dará. Ou não será?!
Enquanto isto, os Costas travam-se de razões. Um, ameaça com tribunal; o outro, reafirma que tudo é verdade. Apresenta argumentos. Em livro. Vamos ver como isto vai parar num tempo em que o governo está desatinado. E emaranhado em casos e em casinhos. Para mal do meu país.
Autor: Armindo Oliveira
Um governo ensarilhado
DM
20 novembro 2022