O que se passou no dia do desafio de futebol entre o vitória de Guimarães e Sporting de Braga, mais não foi do que o ressurgimento do hooliganismo, à pior maneira inglesa; já houve hooliganismo à boa maneira britânica de que faz parte, por exemplo, Winston Churchill: eram jovens membros conservadores do parlamento que estavam insatisfeitos com a política do partido. Eram rebeldes que a si mesmo se apelidaram de hooligans; a sua rebeldia não lhes deu para partir montras, cadeiras ou vidros de viaturas! O hooliganismo mau inglês veio para o futebol; o outro, o bom, ficou-se pela rebeldia do pensamento. Onde os maus iam havia desacatos de toda a ordem. Os desmandos foram de tal monta que o governo de sua majestade, rainha Isabel II, teve de proibir a saída do UK dos desordeiros. Não há melhor solução para a serpente deixar de morder do que arrancar-lhe os dentes. O que se passou em Guimarães, e a fazer fé nos relatos da imprensa falada e televisiva, foi uma vergonha para Braga enquanto cidade e para o clube enquanto instituição representativa da cidade. Às vezes penso que os clubes de futebol não deveriam ter o nome da terra a que pertencem. Dentro do campo nada houve de anormal, nem agressões gratuitas, nem violências escusadas. Mas Braga ficou marcada pelo que aconteceu antes do jogo e, se hoje conhecemos a localidade de Canelas, não é pelas boas razões desportivas. Parece-me que depois da identificação sem equívocos, ou pressas de encontrar culpados, não vá fugir o réu e prender-se o inocente, o que deveria ser feito a estes arruaceiros, era privá-los de ir ao futebol todos os fins-de-semana, quer o seu clube jogasse fora ou dentro de portas. Se os ingleses sustiveram o ímpeto zaragateiro de seus compatriotas, também podemos ter mão neste movimento crescente de díscolos em recintos desportivos, ou mesmo nas suas imediações. Basta colocar-lhes uma pulseira eletrónica em todos os fins-de-semana para os obrigar a ficar em casa a ver futebol pela televisão. Não há lei que tal permita? Não sei se há se não há, mas sei que as leis se fazem na Assembleia da República quando o interesse nacional está em causa. Ora este regresso do hooliganismo pode medrar e, a chama que se viu acender em Guimarães, pode vir a transformar-se em labareda e de seguida em incêndio. E depois quem o controla? Medidas ríspidas que se tornariam desnecessárias se antes de remediar tivéssemos feito a prevenção. Dir-me-ão que são muitas pulseiras eletrónicas para colocar. Se são assim tantas é porque o hooliganismo bracarense já é maior do que se pensava; se assim é, este movimento de rebeldes violentos em desporto, tornam-se um perigo imediato que há que combater. “Anilhem” os cabecilhas que não serão assim tantos e verão como os seguidores que normalmente só são corajosos em grupo, e são cobardes por natureza, quando isolados, fogem e escondem-se. Na verdade poucos, ou nenhuns, são os aspetos positivos observados para esta rivalidade entre duas cidades vizinhas. Há ainda um sentimento de bairro, um certo saudosismo serôdio e bafiento, quiçá ninho de frustrações mal curadas, que pairam no inconsciente, mas que não se coadunam com os tempos modernos em que vivemos. Parece voltarmos ao tempo em que o futebol era o único palco de afirmação desta cidade. Ora Braga tem tanto de que se orgulhar que o futebol não é o único orgulho desta cidade milenar. Quando o jovem treinador do S.C. de Braga parou os olés dos adeptos bracarenses, dignificou o triunfo. Isto é ser grande; Isto é saber ganhar com dignidade.
Autor: Paulo Fafe
Regressou o hooliganismo
DM
26 fevereiro 2018