Perante os resultados das sondagens que por aí são debitadas pelos órgãos de comunicação social, os eleitores só podem sentir-se incrédulos e confusos; e pensando que sondagens são sondagens e nunca verdades absolutas e a realidade eleitoral quase sempre as contraria, o mais importante e decisivo é a escolha consciente e racional que os eleitores devem fazer.
E esta é, sem dúvida, a decisão mais difícil de tomar, quando o coração se sobrepõe à razão, ou seja o clubismo partidário se põe à frente da verdade ideológica: e, neste particular, grande parte do eleitorado tem dificuldades, à boca das urnas, em decidir com isenção, liberdade e verdade.
Agora, pensando na realidade dos factos, só deve ganhar as eleições quem conquistar a classe média dos setores público e privado, os indecisos e os abstencionistas; e esta verdade estriba-se na governação da geringonça feita contra estes eleitores, desiludidos e descrentes com a atuação dos políticos em geral e da política de extrema-esquerda que influenciou o governo da António Costa.
Depois, se recordarmos a onda de greves, sobretudo de professores, médicos, enfermeiros, forças de segurança, funcionários judiciais e motoristas de matérias perigosas que, na segunda parte da legislatura que está a findar, varreu o país, bem como manifestações frequentes de rua patrocinadas pela CGTP, não é fácil arriscar um prognóstico sobre os resultados eleitorais; e a maioria absoluta a que o primeiro-ministro António Costa aspira não passa de uma miragem e, sobretudo, no momento, de uma manobra eleiçoeira e demagógica.
Ademais, o vazio de projetos e ideias que vai reinando nas forças partidárias concorrentes às eleições, impondo-se como mais do mesmo, não ajuda à definição clara e séria dos objetivos governativos que se desejam e fazem falta para o futuro do país; porque nada de novo, seja na inovação e crescimento da economia, seja na irradicação objetiva do desemprego, na redução de impostos, da dívida e da precariedade no trabalho, como igualmente na melhoria das condições de vida e diminuição da pobreza, da esquerda à direita é garantida ao povo.
Pois bem, o PSD, como única força da oposição capaz de se opor ao PS, tem dificuldades em fazer passar a sua mensagem, dividido como está internamente e com um timoneiro contestado por alguns barões, embora senhor de ideias, mesmo que claras e corretas e de que o país precisa; e, pior ainda, confrontando-se com a máquina eleitoral pouco oleada em algumas distritais, fruto das escolhas de candidatos às eleições feita contra os poderes e interesses instalados.
Ainda o PCP e o CDS, mal refeitos do desaire eleitoral das europeias, lutam desesperadamente para segurar os seus eleitores e conquistar novos votantes, fazendo passar as velhas verdades em que teimosamente insistem e pouco motivam o eleitorado; e o PAN com as suas propostas fraturantes e pouco credíveis, como, por exemplo, a criação de um serviço nacional de saúde para os animais e fazendo crer que, por este caminho, não tardará a propor legislação que crie um abono de família e, até, uma reforma para cães e gatos, está longe de conquistar a adesão dos portugueses que precisam primeiro de pão, assistência na doença, remédios e proteção social para os seus filhos do que tanto apoio e escandaloso aos animais.
E, agora, o BE que vai dando uma no cravo e outra na ferradura, isto é, querendo e não querendo descolar do PS, teme obviamente que o eleitorado, perante tanta agressividade, hesitação e oportunismo lhe vire as costas; e ainda há que ter em conta as dissidências internas entre dirigentes e quadros em traçarem linhas de rumo comuns e de consenso num bloco de ideias e estratégias confuso e diverso como é o BE na sua génese e atuação.
Pois é, assim vai a campanha eleitoral, onde pontifica um PS que, embora promovendo um leque de ações que vão da extrema-esquerda ao centro, ainda é através do primeiro-ministro António Costa que mais luta por fazer passar e impor as suas propostas assentes no sucesso, embora falacioso e demagógico, da governação da geringonça, sempre pouco inovadoras e relevantes para a vida dos portugueses e do país; sobretudo, numa ação de descolagem dos parceiros de governo (PCP e BE) e de lavagem da sua governação pautada pela ditadura do ministério das Finanças com evidente subida de impostos, penúria de recursos humanos e materiais nos serviços públicos e permanente e rigorosa política de cativações financeiras, traduzidas em ações caloteiras, nos pagamentos oficiais a entidades públicas e privadas.
Ora, face a este cenário pré-eleitoral, os eleitores só têm que abrir bem as suas mentes e os olhos e parar para pensar e decidir coerentemente sobre as propostas e programas que os partidos lhes apresentam e que melhor podem ir ao encontro dos seus interesses, anseios e exigências ideológicas, eticamente sérias; e até para que, depois, não lamentem os desaires e contrariedades das futuras ações governativas que os resultados eleitorais abalizem.
Então, até de hoje a oito.
Autor: Dinis Salgado