Na passada segunda-feira, decorreu a Gala Anual da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) “Quinas de Ouro”, um excelente evento e muito bem organizado, mas onde a justiça em algumas decisões não cumpriu os “serviços mínimos”.
O segundo prémio da noite, de nome “Vasco da Gama”, e da iniciativa da FPF, com objetivo de homenagear equipas que dignificaram o país a nível internacional, foi entregue a 3 clubes ao mesmo tempo.
Ao Futebol Clube do Porto (equipa sub19 que venceu a UEFA Youth League), Sporting Clube de Portugal (Equipa Campeã Europeia de Futsal), e ao Sporting de Braga (Equipa vencedora da Euro Winners Cup e Mundialito de Clubes de Futebol de Praia). Como esta categoria era nova, e como em regra não se atribuem 2 prémios à mesma equipa, estava desde logo preparado um cortejo de injustiças para várias categorias.
A FPF deu a possibilidade à população portuguesa, através da web, de eleger os melhores atletas e equipas das diferentes variantes do futebol masculino e feminino (futebol, futebol de praia e futsal).
No entanto, a clubite doentia estragou a festa, a cultura da meritocracia e a realidade dos resultados alcançados, em muitas das categorias passou a ser secundário.
Não colocando em causa o profissionalismo e nenhuma das excelentes pessoas homenageadas, verdadeiras vítimas do constrangimento de receber o que que não deveria ser seu, posso afirmar convictamente, e sem qualquer problema, que foram entregues as seguintes distinções de forma errada e injusta: (1) Seleção Nacional de Futebol de Praia, uma equipa que baixou muito o seu rendimento de outros anos.
O troféu em causa, deveria ter sido entregue à equipa do SCBraga, pois ganhou a competição nacional de clubes, europeia e mundial; (2) Madjer, Sporting – Melhor jogador de Futebol de Praia, um atleta de referência no passado, mas de há uns tempos em perda rendimento desportivo. Este troféu deveria ter sido recebido por Jordan, do SCBraga, melhor jogador do mundo da atualidade e que ganhou quase tudo o que havia para ganhar. Mesmo antes de Madjer, se alguém tivesse que receber este troféu, estaria melhor entregue a Bê Martins ou Bruno Torres.
De salientar ainda, o fraco discurso dos vencedores das categorias de Futebol de Praia, que ao contrário de todos os homenageados não referiram, nem destacaram, a qualidade dos restantes nomeados, eles próprios não sentiram este prémio como deles; (3) SL Benfica – melhor equipa de Futsal. Inaceitável, o Sporting foi Campeão Europeu; (4) Joel Rocha, Benfica – Melhor treinador de Futsal. Equívoco, Nuno Dias, do Sporting, deveria ter ganho pelas razões anteriores; (5) Ricardinho, Inter Movistar – Melhor Jogador de Futsal, fez uma época sem brilho e sem troféus importantes conquistados.
Vários jogadores portugueses estiveram em melhor plano, e ele próprio referiu isso; (6)SL Benfica – melhor equipa de Futebol feminino. Incomparável o nível dos troféus alcançados na época pelo SCBraga nesta categoria, mesmo assim, se esta última equipa vencesse a Taça de Portugal o resultado desta votação seria o mesmo; (7) Jéssica Silva, Levante – Melhor Jogador de Futebol.
Inadmissível, uma época sem vencer o que quer que fosse e sem prestação desportiva de grande visibilidade, outras atletas nomeadas, por exemplo, Vanessa Marques, MVP e vencedora da Liga esteve uns furos muito acima.
Com várias entregas pouco ou nada merecidas, e no desporto, os números raramente mentem, esta forma de eleição irá certamente ser revista.
Autor: Fernando Parente
Quinas de Ouro, algumas com pouco brilho
DM
6 setembro 2019