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Por uma associação empresarial agregadora

Uma sociedade moderna e desenvolvida apoia-se em instituições públicas e privadas democraticamente eleitas. A principal missão dessas instituições é a promoção do desenvolvimento económico, social, cultural e ambiental das comunidades e territórios que representam.

No caso das associações empresariais, que se apresentam como entidades privadas sem fins lucrativos e com interesses de natureza coletiva, a sua missão principal é representar, defender, promover e apoiar os seus associados. Por sua vez, estas instituições estão agrupadas em confederações nacionais com o estatuto de parceiros sociais, o que lhes confere o direito de participação no Conselho Permanente da Concertação Social do CES – Conselho Económico e Social, onde são articuladas as políticas nacionais de âmbito social e económico. Este é um dos exemplos em que se afirma a importância do associativismo na representação e defesa dos interesses das empresas, cujo papel é vital para a democracia e desenvolvimento do país.

À semelhança do que se tem passado noutros sectores, também as instituições/associações empresariais enfrentaram processos de erosão e até de encerramento da atividade; com impactos nefastos na representação empresarial e social dos respetivos interesses, sectores e territórios. Esta realidade não é um bom presságio nem um bom exemplo e, por isso, deve ser acautelada a sua sustentabilidade, dado que a necessidade da sua existência é inquestionável, sob pena de deixarmos os decisores em "roda livre" para que decidam por nós sem contraditório.

Em Braga, como é do conhecimento geral, temos a Associação Comercial, com estatuto de utilidade pública e 157 anos de história e memórias que orgulham os empresários de Braga e da região, cujo prestígio e notoriedade são amplamente reconhecidos na região e em todo o país.

A Associação Comercial de Braga está, desde 2019, num processo de alargamento da sua representatividade, para responder aos contínuos desafios da evolução do desenvolvimento empresarial. É um processo progressivo e imparável. A sua base associativa está em mutação contínua, como resultado da integração de todos os setores de atividade com destaque para o setor industrial, já com um peso significativo.

A história não pára e o progresso constrói-se com todos, todos os dias. Partindo deste pressuposto, a designação social da nossa instituição já não corresponde fielmente à sua base associativa. A sua alteração é um desígnio e uma oportunidade histórica que queremos concretizar em breve, logo que as condições sanitárias de mobilidade e acesso sejam restabelecidas no país.

Com efeito, queremos corresponder aos anseios da maioria dos empresários de Braga e da região, cujo objetivo principal é o reforço do seu poder de intervenção e representação empresarial, a partir de uma base sólida de pertença coletiva ancorada na prestigiada história da nossa instituição. Queremos, por isso, federar na nossa associação, todas as empresas da região: as micro e as PME, bem como as empresas de maior dimensão; as empresas do comércio, turismo e serviços, assim como as empresas da indústria e da construção.

Pelo exposto fica patente a minha convicção de que Braga não necessita de mais instituições/associações empresariais, mas antes de valorizar e reforçar, ainda mais, a existente, fazendo da união de todos os empresários o seu melhor ativo associativo.

Embora sabendo e compreendendo que o movimento associativo é livre, há que refrear com racionalidade o surgimento de novas estruturas associativas; até porque a tendência verificada ultimamente é do encerramento de muitas congéneres e não o seu contrário.

Porém, a “fome” e vontade exacerbada de protagonismo de algumas pessoas faz com que coloquem os seus interesses individuais e a necessidade de satisfação do seu ego, à frente dos interesses do coletivo. Mas, a mim ninguém me convence da necessidade de mais associações para representar os empresários da região. A verificar-se esta situação, não deixaria de ser a manifestação, enquanto empresários, da nossa incapacidade de nos organizarmos na valorização e defesa do que nos é comum.

Esperamos o apoio e o contributo de todos para que a nossa tarefa seja mais fácil e consensual.


Autor: Domingos Macedo Barbosa
DM

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28 janeiro 2021