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Ponto por ponto

Ponto um - Seja bem-vindo Rui Rio ao campo da liderança da oposição. Seja bem-vindo! Demonstre que é capaz de contribuir para desanuviar esta política arranjista, endogâmica e sem vergonha que amarfanhou abusivamente a democracia lusa, ainda imatura e frágil, nestes quatro anos. Sim, foram quatro anos perdidos por um governo incapaz de conduzir o país para patamares de crescimento económico suficientemente robusto para dissipar as nuvens densas que se abeiram da costa. Foram quatro anos enrolados em causas fracturantes, em imposições ideológicas de cariz totalitário, fermentadas com disparates igualitários que indignam um povo, uma História, uma matriz.

Ponto dois - É preciso introduzir verdade e rigor à governação, para que todos possamos aspirar a um futuro mais promissor, mais autêntico e mais digno. É preciso dar lugar aos melhores e aos mais valorosos, para que esses melhores sejam a alavanca tonificada para o sucesso e para o bem-estar deste país que continua, apesar da prosápia, enrodilhado em cinismos, arrogâncias e optimismos inconsequentes. É preciso criar uma atmosfera de transparência e de seriedade na política e na coisa pública, para que a vergonha do nepotismo e da corrupção, pecados mortais da democracia, não tenham hipóteses de medrarem nos órgãos do poder e dos poderes.

Ponto três - Rui Rio apareceu em grande no debate com o dr. Costa, depois de andar refugiado nas cavernas dos medos ideológicos que ostracizam e violentam um país dominado pelos preconceitos de uma esquerda que se arroga de ser dona de uma democracia débil e clientelar. Rui Rio apareceu de forma assertiva, dominadora e esclarecedora. Esmagou o dr. Costa, com categoria, tornando-o irrelevante em qualquer dossier da governação. Que lição!

O país precisa, de facto, de alguém que ponha ordem efectiva e estrutural na sua gestão e na sua administração. Tem razão e razão completa, quando Rui Rio diz peremptoriamente que a governação do dr. Costa saldou-se em quatro anos perdidos. Foram mesmo perdidos. E quem perde tempo nesta altura de boa conjuntura económica não pode ter perdão. Tem que ser penalizado eleitoralmente, pelo menos. Num país a sério era isto que aconteceria pela certa.

Ponto quatro - Não sejamos ingénuos e deixemo-nos de ser mercadoria barata e permitir que sejamos arrematados por um prato de lentilhas amargas. O dr. Costa não errou nas políticas que incrementou. Não, não há erros. O problema é bem mais grave. O dr. Costa não sabe mais e para mais. O político das taxas e das taxinhas só pode fazer isto: adiar e enfezar o país. Só os incautos se iludirão com as promessas e os embustes deste político profissional. Só os incautos! O caso da incompetência e da arrogância já é conhecido há muito tempo. António J. Seguro disse-o claramente: “o dr. Costa é um bluff”. Um enorme bluff, digo eu. Tinha razão o ex-líder atraiçoado. Rui Rio conseguiu prová-lo agora no debate televisivo. Deu pena ver a cara de insosso do primeiro-ministro ao ver a sua política a ser desmascarado ponto por ponto. Sem apelo nem agravo. De caras.

Ponto cinco - Números: Crescimento económico em linha do verificado no último ano de Passos Coelho. Défice nominal pode atingir de 0,4 do PIB, mas à custa do BCE com a política de juros baixos, da péssima execução do investimento público e da degradação dos serviços do Estado. Dívida pública nominal sempre a subir para números que envergonham qualquer país europeu. Emigração continua a ser um cancro da sociedade nacional. A geração mais qualificada de todos os tempos continua a zarpar à procura de melhores condições de vida e de tranquilidade laboral. A Saúde está pior do que no tempo da Troika. A paz social esfumou-se no maior surto grevista de que há memória. A Justiça não é capaz de julgar os casos da vergonha nacional. E os impostos? Comentar para quê? Não será que o país das esquerdas vai caminhando para a venezuelização?


Autor: Armindo Oliveira
DM

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29 setembro 2019