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Ponto por ponto

Como me comprometi no trabalho anterior, vou dar umas tantas sugestões, algumas já referenciadas em artigos anteriores, para fazer “acordar” os mandantes do município, de forma a meterem mãos-à-obra e conferirem à nossa cidade uma valorização inequívoca do seu património histórico, associada a actividades culturais que estejam em linha com a necessidade de a colocar nos roteiros turísticos internacionais. É isto que importa. Não é com “festas e festinhas”, nem com “barracas e barraquinhas” ou com actividades pimba que se cativam turistas ou se desenvolvem políticas culturais. O que importa, de facto, é valorizar toda uma cidade para ser mais airosa e apelativa, no contexto de um futuro com outros horizontes.

Ponto um - A grande moda deste tempo é o turismo. E a cidade de Braga parece que entrou na moda e tem potencial de grande valia para se impor neste mercado. Sabemos que o turista procura história e monumentalidade. Procura gastronomia de qualidade e um comércio pujante. Procura cultura e segurança. Procura conforto e bom tratamento. A cidade tem isto tudo para oferecer. E pode ter muito mais. Aqui entra a criatividade e o engenho dos responsáveis por este sector importante da economia nacional. A aposta tem que ser inequívoca na qualidade.

Ponto dois - Vamos esboçar, ao de leve, cada um dos itens. Comecemos pela História: Braga cidade Romana, elevada a Augusta pela sua relevância no noroeste peninsular e no contexto imperial. Daqui partiam várias vias que a ligavam a Roma e às principais cidades do império. Capital dos Suevos, povo que fixou reino na Galiza e no norte do território português até ao Tejo. São Martinho de Dume é uma das figuras mais importantes desse tempo, tendo convertido os Suevos ao cristianismo. Mais tarde, capital da baixa Galécia e reconhecida honorificamente como igreja primaz das Espanhas, por ser a Diocese mais antiga da Península Ibérica e pela relevância dos seus prelados. Na Idade Média, os arcebispos, donos e senhores de Braga e de um vasto território, tornaram a cidade grandiosa de novo.

Esta é a sugestão: Para honrar e perpetuar a memória dos arcebispos, avanço com a possibilidade de se construir um monumento digno e de relevo num lugar central da velha urbe. O lugar indicado seria naquela praceta, diante do jardim de Santa Bárbara, onde está uma “escultura” de dragão sem jeito, sem sentido e sem história. Não tenhamos vergonha, nem medo de assumir na plenitude os grandes homens da Igreja e de os homenagear como ilustres figuras.

Ponto três - Monumentalidade: nada como começar pelo princípio. Ou seja, pugnar-se pela dignificação, conservação e preservação do que resta da cidade romana que foi sujeita a ataques furiosos e a negócios incompreensíveis no mesquitismo que violaram e destruíram parte das suas ruínas para construir uns tantos prédios sem necessidade. Mais tarde, bem mais tarde, surge, já no século XVI o grande arcebispo D.Diogo de Sousa que rasga a cidade e expande-a para fora das muralhas. É a este arcebispo visionário que se devem o Campo de Santana, o Campo da Vinha, o Campo dos Remédios, o Campo das Hortas, o Campo das Carvalheiras. Ainda hoje espaços emblemáticos da urbe. No século XVIII é o grande André Sores que embeleza as fachadas dos edifícios, religiosos e civis, com o famoso barroco que torna Braga uma capital de referência deste estilo arquitectónico. O escultor bracarense, Marceliano de Araújo com trabalhos em pedra e em madeira, estatuária e talha dourada, ergue o barroco a outros patamares de assombro e de beleza. Um pouco mais tarde surge o grande Carlos Amarante. Com o seu traçado sublime nos presenteou com o soberbo “Bom Jesus do Monte”, hoje património mundial.

Outra sugestão - Para honrar o talento e a mestria destes três vultos das artes bracarenses (André Soares, Carlos Amarante, Marceliano de Araújo), nada melhor que lhes prestar a devida homenagem, promovendo a construção de um monumento na Avenida Central, sala de visitas da cidade. Será necessário fazer uma subscrição pública, senhores autarcas?

DESTAQUE

Para honrar e perpetuar a memória dos arcebispos, avanço com a possibilidade de se construir um monumento digno e de relevo num lugar central da velha urbe.


Autor: Armindo Oliveira
DM

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15 setembro 2019