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Os perigos da (des)informação

Vivemos um período em que a facilidade de acesso à informação é enorme, com um só clique e duas ou três palavras-chave conseguimos encontrar quantidades abismais de informação acerca de qualquer tema.

Se a internet e os programas televisivos poderiam e deveriam ser uma fonte de informação extraordinária, são também uma fonte de desinformação/baralhação das pessoas, sendo capazes de criar opiniões em apenas alguns segundos. Esta é realidade em todas as áreas da nossa vida, mas para mim, como médico de família, a desinformação em saúde assume proporções assustadoras.

A literacia em saúde remete para as competências e conhecimentos dos indivíduos necessários para acederem, compreenderem e utilizarem a informação, que lhes permita tomar decisões sobre os cuidados de saúde, prevenção da doença e promoção de uma vida saudável. Valores baixos de literacia em saúde como os observados em Portugal, estão associados a pior qualidade de vida.

Na minha prática observo todos os dias exemplos desta falta de informação, as dúvidas relativamente à necessidade e importância de realizar as vacinas bem como os mitos criados à volta das consequências destas, as dietas loucas, a utilização desmesurada de suplementos alimentares sem indicação médica, o seguir de forma cega “receitas e mezinhas” que prometem mundos e fundos.

Para combater esta situação como profissionais de saúde temos obrigação de informar o utente, segundo a melhor evidência científica, para que estejam preparados para tomar as suas decisões. Cabe também às instâncias governamentais impor regras mais severas à exibição de anúncios sobre produtos em saúde bem como à propagação de opiniões de profissionais de saúde com pouca validade científica.

A evolução do acesso à informação poderá ser extremamente importante, mas levanta-se uma questão: estaremos preparados para ela?


Autor: Alfredo João Pereira
DM

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16 fevereiro 2018