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Os equívocos da educação moderna

O processo educativo é um aperfeiçoamento constante que deve consagrar o princípio básico do respeito da dignidade humana. Portanto, o objeto da educação, pela sua nobreza e magnitude, exige planificação, conhecimentos e postura que lhe sejam correspondentes. Só podem ser denominados de sistemas educativos aqueles que respeitem a verdadeira natureza humana, que defendam e inculquem os seus valores intrínsecos e que promovam o desenvolvimento harmonioso do homem. Todas aquelas ideologias de educação que desrespeitem e violem estes princípios básicos universais serão puras aberrações que acabam por deformar o próprio homem na sua autenticidade. Os seus objetivos gerais devem incluir também as especificidades do país e das regiões sem violar a sua essência geral. Não pode existir uma conceção puramente rígida e monolítica no processo educativo. No entanto, a tão falada gestão flexível dos currículos continua a ser uma miragem. As normas impositivas centrais são cada vez mais inflexíveis, embora propaladas como decisões assumidas com um espírito totalmente democrático. A autonomia das escolas mantém-se como uma utopia. A desacreditação da carreira docente continua a fazer parte do pensamento dos responsáveis. O desrespeito pela dignidade do trabalho dos agentes educativos é público e notório. Do mesmo modo, os agentes educativos, se não forem coerentes com os referidos princípios fundamentais, terão uma missão muito limitada e redutora na sua ação diária. O exemplo e o modelo pessoais são mais eficientes que uma mera transmissão de ensinamentos livrescos adquiridos sem ter em conta a profunda dignidade do ser humano e a sua aspiração para a plenitude. A educação tem, por natureza, um objetivo geral que consiste na procura da perfeição das faculdades humanas. Esta filosofia de base implica uma multiplicidade de fins menores que, no seu todo, devem estar inseridos na promoção do desenvolvimento completo da pessoa humana. Não pode haver excelência nas escolas e nos serviços se os grandes responsáveis forem medíocres e incompetentes. De nada valem os códigos de conduta e a deontologia profissional, quando se faz deles uma permanente tábua rasa. Quando não se praticarem nem se respeitarem os grandes princípios cívicos e éticos da correta convivência humana, nunca alguém chegará a ser um bom profissional. Se não se for um homem íntegro, nunca se poderá ser um excelente educador. “O que o berço dá a tumba o leva”. A educação começa na casa dos pais e, só depois, é que passa para a escola e para a sociedade. E o que é que se vê em muitas famílias? É uma falta de respeito entre os pais, bem como entre estes, os filhos, os avós e todo o agregado familiar. Entrou na moda os filhinhos tratarem por “tu” os seus paizinhos, porque é muito bonito e porque eles têm que crescer e formar-se por si próprios, sem qualquer diretiva impositiva. No entanto, o papel da autoridade dos pais é indispensável para a formação e desenvolvimento harmonioso dos seus filhos. Segundo defendem os grandes psicólogos, nos primeiros anos de vida (nomeadamente até atingir a capacidade plena de discernimento e de compreensão racional), as crianças têm que interiorizar, sem contemplações algumas, os sentimentos de medo e de vergonha, no seu dia a dia, quando as situações o exigirem. Já começa a ser frequente ver-se noticiadas muitas cenas de maus-tratos, de violência não só entre os pais, mas também para com os filhos e destes para com os pais, a ponto de se chegar a atos de agressões e mesmo mortes. A ausência de qualquer tipo de autoridade dos pais criou um ambiente de total permissividade a roçar a anarquia, criando-se condições para uma plena inversão de valores educativos. A harmonia educativa implica a prossecução da verdade durante todo o processo de crescimento humano.
Autor: Artur Gonçalves Fernandes
DM

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1 fevereiro 2018