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O equilíbrio emocional do comportamento humano

O desmazelo em relação aos grandes valores humanos, bem como a sua própria rejeição impele a sociedade para o descrédito da dignidade humana. Assim se desvirtua o crescimento harmonioso do homem em todas as suas dimensões. Como é possível haver tantas pessoas que, em nome de puras aberrações humanas, sociais e religiosas, são capazes de defender o extermínio de todos aqueles que não os desejam seguir no seu fanatismo diabólico? A intolerância, o egoísmo, a ganância e o atropelo dos mais elementares direitos humanos aprisionam muitas pessoas (e comunidades) num bloqueio mental que as trancam nas suas ideologias fanaticamente visionárias de pseudolibertações. A deformação psíquica, profundamente mórbida de determinadas pessoas cega-as intelectualmente, levando-as à propaganda exaltada de perspetivas monolíticas e luctíferas. Para elas, parece que o dicionário apenas é composto por étimos cujo significado transmita vingança, indiscriminação, secularismo sectário, fundamentalismo dogmático e conspiração persecutória. O ideário de certas comunidades está eivado de uma filosofia de vida contaminada pela ganância ou pelo egoísmo cego, em que os únicos objetivos se encontram em jogos extremistas. Neles não há lugar para o equilíbrio emocional e mental. A vida tornou-se numa luta desenfreada pelo poder conquistado sem olhar a meios e, posteriormente, desempenhado desonestamente. A vida transformou-se numa disputa pelo ganho usurário dos poderosos, fazendo do homem um escravo do material, do artificial, do prazer, das futilidades, das aparências e do desregramento falsamente fascinante. É assim também que muitos responsáveis apenas pensam em si e nos seus bajuladores a quem se prendem facilmente. Para obter os seus objetivos acabam por vender a própria alma ao diabo. O agnosticismo, a maçonaria ateia e o materialismo capitalista implicam uma competição desonesta em que uns tentam superar os demais para alcançar grande visibilidade no meio em que vivem. Quando acordará o homem, para se orientar apenas e unicamente pela justiça, pela defesa de uma distribuição equilibrada dos subsídios ou da riqueza e pela isenção nos concursos ou na atribuição dos cargos públicos? Onde está a justeza no desempenho das funções profissionais dos grandes gestores dos recursos financeiros do Estado ou da comunidade? Que tranquilidade interior podem revelar esses responsáveis perante si e perante os outros? É preferível levar uma vida sóbria e modesta do que arriscar a seriedade, a justiça e a solidariedade para beneficiar os “compadres”. A luta insaciável por objetivos falaciosos e efémeros acarretam as injustiças, as desigualdades sociais e a exploração dos mais frágeis. Esta não é a verdadeira filosofia de base para uma vida plenamente equilibrada e racional. Uma das maiores fontes de perturbação de algumas pessoas é a ambição desmedida e desenfreada. Elas, fruto de um psiquismo doentio, não pensam que a pseudofama e os falsos êxitos as podem transformar em escravas da sua própria ideologia. Só uma filosofia de base racional e equilibrada é capaz de orientar o ser humano, de um modo livre e responsável. Se promover uma sociedade com equidade é um prazer pessoal, destruí-la é um desacerto grave; se ajudar os concidadãos a progredir é um privilégio, aliciá-los para causas desumanas é malvadez.
Autor: Artur Gonçalves Fernandes
DM

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28 dezembro 2017