Na véspera do Dia de Reis, quando para trás ficou um ano marcado pela pandemia Covid-19 que condicionou profundamente a vida de toda a gente, há que pedir a quem governa que, à semelhança dos três reis magos, encontre a estrela capaz de lhe indicar o melhor caminho que nos devolva a liberdade perdida. Um ano que ainda agora começou, mas onde abundam demasiadas incertezas. Demasiadas incertezas que não nos devem fazer cair, nem em excessivos otimismos, nem em paralisantes desânimos.
Na verdade, olhando para perto ou alargando a visão para mais longínquos horizontes, ninguém arriscará fazer grandes conjeturas.
No que à pandemia diz respeito, se as vacinas anti-SARS-CoV-2 representam uma grande esperança para a contenção da doença e, naturalmente, a permissão para um regresso à normalidade a que estávamos habituados, a sua evolução e o comportamento das frequentes mutações do vírus ainda levantam muitas dúvidas. Consequentemente há demasiadas questões em aberto para podermos afirmar com alguma segurança que a recuperação económica será célere e que a crise social será rapidamente superada.
Não obstante este rol de interrogações, existem razões para elevar a esperança a patamares ainda há pouco impensáveis.
Por um lado, a União Europeia, sob a liderança de Ursula von der Leyen, parece ter voltado a cultivar os valores da solidariedade e com isso permitir que os países membros do sul possam encarar a crise económica e social com maior audácia, porque terão ao seu dispor meios financeiros para o fazer. Por outro, a eleição de Joe Biden, mais do que a escolha de um novo presidente para os Estados Unidos da América, representa não só um virar de página na política interna americana, mas também e principalmente uma mudança no relacionamento externo do grande país americano em prol do progresso e da paz entre os povos.
E o que dizer mais pormenorizadamente do nosso país? O que esperar dos nossos governantes nos próximos doze meses?
Acredito que o Governo de Portugal disporá dos meios necessários para levar a cabo a gigantesca tarefa de reconstruir a confiança do povo combalido pela epidemia global e pelos efeitos catastróficos que ela espalhou.
As atuais circunstâncias não poderiam ser mais favoráveis. O simples facto de presidir à União Europeia no presente semestre confere-lhe a responsabilidade e a honra de liderar os destinos dos 27 países que a compõe e ainda acautelar as relações com o Reino Unido depois do Brexit, o seu mais velho aliado. Acresce que, esta posição privilegiada poderá ser extremamente vantajosa na execução dos apoios comunitários de valor ainda não há muito tempo inimaginável (a apelidada bazuca) e deles fazer uma gestão criteriosa e competente.
Outro contexto a ter em conta e a valorizar é sem dúvida a mais que provável reeleição do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, nas próximas eleições de 24 de janeiro, um aliado sempre presente na prossecução dos superiores interesses de Portugal e dos portugueses. A sua continuidade como Chefe de Estado é mais um apoio de peso e um suporte de estabilidade para que ao governo de António Costa não faltem as condições para ter êxito.
Ao referir-me às próximas eleições para a Presidência da República, não posso deixar de aludir à importância desse ato eleitoral e dizer quão importante é participar nessa votação. Deixar de ir votar por comodismo ou por se pensar que a eleição está definida, é um erro que pode ter graves consequências. Da magnitude da vitória de Marcelo Rebelo de Sousa dependerá a força e a autoridade do atual e futuro Presidente da República para influenciar a governação e fazer ouvir a sua voz.
Nesta véspera do Dia de Reis, que os nossos governantes saibam honrar esta velha nação europeia de mais de oitocentos anos de história e, em analogia com os reis magos, encontrem a estrela que os guie para bem de Portugal e de todos os portugueses.
Autor: J. M. Gonçalves de Oliveira