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LUZ inapagada...!

Hoje mesmo (24-02-2019), quero evocar, saudosamente, o luto e dor que eu e muitos outros sentimos, por ocasião do falecimento do bom Reitor do Seminário de Santa Margarida – o Cónego MOUTA REIS (24-02-1978). Conheci-o bem, ouvi-o, respeitei-o, fui seu aluno e educando, mereci-lhe uma ou outra reprimenda, tive provas da sua circunspecta e inegável bondade...! Foi sempre, naquele época tão difícil, um bom Reitor! Quando ele faleceu, já eu gostava de partilhar pela Escrita as minhas ideias, os meus sentimentos, as minhas dúvidas, tantas interrogações que me fazia a mim mesmo sem lhes encontrar a resposta...! No segundo (dos dez) livro de minha autoria – «Toma e lê» – 1978, (pág. 185 e 190), aparecem dois trabalhos meus, publicados respectivamente em “Notícias de Famalicão” (03-03-1978) e “Diário do Minho” (11-03-1978), – qual deles o mais sincero, sentido e emocionante! Peço licença ao meu prezado leitor para a transcrição que agora faço do trabalho citado em primeiro lugar. Ei-lo: «Descanse em paz, Senhor Reitor (título)! Não me deixam pena o Arcipreste, nem o Pároco, o Cónego nem o Professor, o Ecónomo nem o Monsenhor: recordo com saudade – isso sim – o autêntico Bom Reitor (do Seminário). Corpo franzino, olhar magoado, andar sereno esfregando as mãos, vertendo lágrimas quando nos falava à alma, pigarreando, parecendo zangado quando as nossas diabruras eram a mais, quando nos tratava por meninos, era sempre o cativante pai Mouta Reis! Sabedor e experiente, piedoso e compreensivo, austero e tolerante, Mouta Reis foi sobretudo o homem bondoso que soube educar e formar centenas de jovens! Arrancando o joio para vingar o trigo, os ramos podando para fertilizar a cepa, crivando o cereal para ao vento lançar o cisco, cultivou a Messe do Senhor, embelezou a Vinha da Igreja! Curvadinho pelo peso dos anos, mais leve no espírito do que pesado no corpo, Mouta Reis foi descansar! E, contentes por vê-lo dormir com sono ledo e anjos à roda, centenas de padres o creem feliz e o bendizem rogando: descanse em paz, Senhor Reitor!» Isto escrevi eu, em 03-03-1978. Mas, uma semana depois (11-03-1978), nas exéquias do 7.º dia, celebradas no dito Seminário e, às quais assisti, senti o impulso de escrever outra crónica, agora no “Diário do Minho”, conforme referi, acima. Esta crónica terminava assim: - «E todos sentiam a nostalgia e saudade do paizinho que partira! E todos recordavam como era bondoso aquele homem de Deus! E todos o viam, com o telescópio da Fé, no “seio de Abraão”! E todos dali saímos convencidos de que «o Homem inclina-se perante talento, mas ajoelha perante a Bondade...!» Fortalecidos por esta “Luz inapagada” de Mouta Reis, deixemo-nos guiar pela Fé, pela Bondade, pela Esperança no “Vinde, benditos de meu Pai”.
Autor: nunabre
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24 fevereiro 2019