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Estará o PSD em fim de linha?!

Já não falta gente e gente bem pensante, daquela gente que enrodilha cenários rocambolescos a augurar o fim do PSD por exaustão generalizada. Que ligeireza! Que falta de senso! Ainda as coisas eleitorais estão aturdidas e não devidamente esclarecidas e já há quem assine certidões a prever o pior ao partido. Assim de rompante, como se a democracia se cingisse simplesmente ao poder ou aos jogos do poder, não fica bem. Há quem pense e proceda assim. Só querem o poder. O Central, o Regional, o Local. O poder total. E quando não o têm, tudo, mas tudo fazem para o ter de volta. É o que está em ameaça em Lisboa. Moedas que se cuide.   1 - Claramente, tem que ser dito, sem ásperas e sem evasivas: o que essa gente diz, e alguns da linha difusa o querem, é um absurdo. E no caso presente não passa de um “vaticínio” sem nexo, sem enfiamento com a realidade e sem substância, embora uns tantos, para justificar um canal de desvios na sua condição de filiado, o desejem. Durante o “trajecto apaparicado”, essa gente não respondeu com acerto e prontidão, quando era necessário estar mobilizada, assertiva e comprometida, naqueles momentos que implicavam coragem e arrojo, na defesa das políticas “agressivas” que salvaram o país das garras dos credores, por culpa exclusiva e incompetente dos socialistas. Isto tem que ser dito, repetido e bem consolidado na mente dos portugueses.   2 - É preciso dizê-lo sem subterfúgios que há gente no PSD que se escondeu, durante tempo demais, por vergonha saloia, por tacticismo, por medo de ser conotado com a linha de Passos Coelho. Deveriam sentir orgulho por este político que deu a cara nos momentos complicados em que era necessário firmeza e que hipotecou o seu próprio futuro para resolver o desastre da bancarrota socialista. Essa gente sacudiu a água do capote, fingindo que estava noutra roda e com outro andamento. Fingindo que estava noutro grupo. Fingindo que nos fingia. Houve gente que nunca percebeu nem quis perceber e ainda não percebe o atoleiro económico, financeiro, social em que Portugal estava metido. É como estaríamos hoje se não fosse a generosidade ultra-generosa da União Europeia e do BCE. Portugal está actualmente num atoleiro multi-facetado e com garrotes bem apertados no gorgomilo. Daí, não ser capaz, nem vai ser capaz de gerar riqueza suficiente para proporcionar uma vida tranquila e um futuro mais promissor aos seus cidadãos. E não é capaz, porque os governantes são incapazes. Porque os governantes não pensam no país. Porque o socialismo dá-nos, com propaganda, este estado deprimente.   3 - É verdade que as derrotas complicam a vida de qualquer um. Ninguém gosta de perder. Nem a feijões. Então a derrota de um partido que vive muito a satisfazer a gulodice do poder aos seus piões (clientelas) e a servir na mesa os interesses pessoais da sua militância, estar afastado da órbita das benesses, dos escaparates das influências e das passadeiras vermelhas todo o cardápio se garatuja e se complica, borrando democraticamente as posições de cada um no xadrez da política e contamina inevitavelmente as relações entre os seus pares.   4 - O PSD tem que erguer a cabeça, repensar a estratégia, assumir a oposição, uma oposição frontal, inteligente e combativa, escolher o seu novo líder e partir para o jogo político com “armas” renovadas, porque o adversário é manhoso, embora fraco. É incapaz de guiar o país pelo caminho do progresso e de incrementar políticas de criação de riqueza. Não será, contudo, com Luís Montenegro, nem com Paulo Rangel, nem com Moreira da Silva, nem tão pouco com Pinto Luz ou com outros que se arrastam pela Sede que o PSD vai virar a página da crise interna. Não será com estes “carimbos” já demasiado usados e gastos que o PSD poderá carimbar os socialistas. Tem que aparecer um líder jovem, limpo, enérgico, firme e determinado para sacudir a pasmaceira e para dar corpo a um projecto mobilizador e congruente com a realidade do país. Temos, indubitavelmente, um país fabuloso que está, infortunadamente, nas mãos indevidas. E o PSD, nesta matéria, tem fortes e insofismáveis culpas no cartório, porque pactuou com um governo fraco e ainda anda a discutir, 48 anos depois, o seu posicionamento político. Incrível!
Autor: Armindo Oliveira
DM

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20 fevereiro 2022