As cenas protagonizadas na passada sexta-feira no Estádio do Dragão, no jogo entre o FC Porto e SC Portugal, deviam fazer corar de vergonha qualquer cidadão deste país e principalmente todos os intervenientes que protagonizaram tal espetáculo, colocando o nosso país, pelos piores motivos, nas bocas do mundo ao presenciarem tais cenas naquele jogo de futebol. Demos um péssimo exemplo de civismo, respeito, educação e fair play, valores que teimam em não fazer parte do dicionário do futebol português. Por diversas vezes já abordei este assunto mas parece que nenhuma entidade responsável tem interesse em resolver estas questões.
A violência nos campos desportivos não se pode eliminar com um simples estalar de dedos, longe disso, o que é necessário é eliminar as causas que a originam, como expressão de indignação.
A arbitrariedade, a prepotência e o desrespeito pelas normas estabelecidas levam à indignação e podem conduzir, na verdade, à violência. Reprimir a violência de forma insensata pode conduzir a uma violência ainda maior, ou seja, de grau superior.
Daí sermos apologistas de que a "autoridade" só se pode fazer respeitar quando ela própria sabe respeitar e não invoca a sua força como meio de coação.
Violência é um comportamento que causa dano a outra pessoa ou objeto e por isso deve ser erradicada de vez mas terá que ser entendida como respeito por si próprio e por todos os outros, assumindo comportamentos dignos de cidadania.
O que nos espanta não é a violência em si mesma. É, sim, a ignorância das suas causas, consciente ou inconsciente, e a inação de algumas entidades responsáveis.
A violência no "desporto" assume dois vetores distintos, ou seja, a violência nas bancadas, entre aqueles que assistem ao "espetáculo" e aquela "outra" a que são sujeitos os "artistas" profissionais, ou seja, eles têm de se manter, sempre, no seu melhor, apesar de sabermos que isso nem sempre é possível pois há "ciclos" de forma que influenciam a rentabilidade que se desejaria.
Estou certo que deveremos realmente refletir sobre a problemática da violência a nível desportivo e perceber o que é mais comum acontecer, mas a principal conclusão que podemos tirar é que há a possibilidade de estarmos a participar nesta violência caso sejamos um daqueles adeptos que provoca a equipa adversária, que provoca os árbitros, os jogadores ou os restantes adeptos, mas se os exemplos forem originários dos dirigentes maior será a sua gravidade!
Um outro ponto importante que podemos extrair é que nem todas as situações violentas são iniciadas no recinto desportivo, sendo muitas vezes originárias por declarações dos dirigentes que influenciam as massas adeptas e nos conduzem a tal situação. E por isso urge tomar medidas de combate a este estado de coisas, responsabilizando quem efetivamente contribui por aquilo que acontece, fingindo ignorar a realidade. Tem a palavra a Liga Portugal, a Federação Portuguesa de Futebol a Secretaria de Estado do Desporto e todas as entidades responsáveis pelo desporto do nosso país. É urgente acabar com este estado de coisas!
Autor: Luís Covas
Erradicar a violência
DM
18 fevereiro 2022