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Dia Mundial do Doente

1. Por iniciativa de João Paulo II celebramos amanhã o Dia Mundial do Doente. Tem como objetivo sensibilizar o Povo de Deus, as instituições sanitárias católicas e a sociedade civil para a solicitude com os enfermos e quantos cuidam deles. Este ano tem por tema: «Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso» (Lc 6, 36). Colocar-se ao lado de quem sofre num caminho de caridade». 2. A doença é uma realidade com que, mais tarde ou mais cedo, a generalidade das pessoas se confronta. A doença e o sofrimento, que normalmente lhe está associado. Procuro evitar o sofrimento. Se tenho uma areia no sapato, descalço-o e retiro-a. Recorro aos profissionais de saúde, a quem estou muito grato, solicitando me ajudem a ver-me livre do sofrimento ou a aliviá-lo. Quando o remédio é aguentar… 3. Perante a inevitabilidade do sofrimento são possíveis três atitudes: a revolta, o estoicismo, a sublimação. A revolta nada resolve e só complica. Cria problemas ao doente e a quem o rodeia. O estoicismo do tem que ser, foi isto que me tocou, também nada resolve mas evita o disparate a que a revolta pode dar origem. A sublimação também não retira nem alivia o sofrimento, mas converte-o em fonte de mérito sobrenatural. Abraçando-a, a cruz é mais leveirinha, disse Bernardo de Vasconcelos. A sublimação é o que recomenda a ascética cristã: unir o próprio sofrimento ao sofrimento de Cristo, oferecendo-o por si ou pelos outros. Saber viver com o sofrimento é o que de melhor pode acontecer a todos os que sofrem. 3. O sofrimento dos outros não nos deve deixar indiferentes. Há que saber ser solidário, e a solidariedade recomenda que haja tempo para a pessoa doente. Que se disponibilizem os meios necessários a favor do doente. Que se lhe não falte, pelo menos, com a presença amiga ou palavras de conforto. A visita ao doente deve contribuir para o ajudar e não para o incomodar. Isto depende do tempo que dura e da forma como é passado. Do tema de conversa que se tem. Há circunstâncias em que não é recomendável a conversa. É a presença. É o apertar a mão do doente na nossa. É o fazer-lhe sentir que não está só. 4. Falei em disponibilizar meios materiais. É necessário, muitas vezes, mas há quem, por um mal-entendido do que deve ser o uso do dinheiro, se recuse a gastar com o doente o que deve ser gasto. Será para, quando ele partir para o outro lado da vida, poder gastar com anúncios nos jornais e com flores que breve vão para o lixo? É triste, mas às vezes é verdade: servir-se dos mortos para satisfazer a vaidade dos vivos. Ao doente não importa que venha a ter um lindo enterro. O que pretende é que lhe não faltem com o carinho e com o apoio necessários. O que pretende é que o ajudem a viver. E que pensar de situações em que, não tendo havido tempo para visitar o doente, se goza até ao último segundo o tempo de descanso (chamam-lhe dias de nojo) a que a morte do familiar legalmente dá direito?! 5. Na mensagem que escreveu para este dia o Papa Francisco lembra haver «ainda um longo caminho a percorrer para garantir a todos os doentes, mesmo nos lugares e situações de maior pobreza e marginalização, os cuidados de saúde de que necessitam, e também o devido acompanhamento pastoral para conseguirem viver o período da doença unidos a Cristo crucificado e ressuscitado». A forma como, neste tempo de pandemia, tem sido feita a distribuição das vacinas, onde o que manda é o dinheiro, não deixa de ser preocupante. Que o XXX Dia Mundial do Doente, escreve também o Papa, «nos ajude a crescer na proximidade e no serviço às pessoas enfermas e às suas famílias».
Autor: Silva Araújo
DM

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10 fevereiro 2022