A crescente profissionalização do futebol português, e o aumento significativo de receitas, cuja gestão não tem sido devidamente escrutinada, carece de uma urgente atualização da legislação, capaz de solucionar os principais problemas que colocam em causa a transparência, a credibilidade e a integridade das Sociedades Desportivas e do futebol em geral.
Face às suspeitas constantes que se verificam em torno das sociedades desportivas, nomeadamente, desvio de dinheiros e adulteração dos resultados do exercício, com troca de passes de jogadores e outras artimanhas saloias, é tempo de os sócios exigirem auditorias forenses, pois não devem nunca esquecer-se que os clubes têm participações significativas nas SAD e não devem deixar-se iludir com argumentação de que as contas são devidamente auditadas. Não são! Veja-se, a título de exemplo, o caso do Barcelona, onde só depois de uma auditoria forense se detetou uma série de irregularidades e desvios de dinheiros.
Com efeito, é primordial a urgente reforma legislativa, criando-se mecanismos de maior controlo e regulação efetiva das sociedades desportivas, escrutinando-se a proveniência do dinheiro e a idoneidade dos investidores, que, na grande maioria das vezes, infelizmente, mais não são do que meros oportunistas, ricos em promessas, mas pobres em ideias e, sobretudo, credibilidade.
Relativamente às instituições que gerem o futebol, o que se exige é outro tipo de transparência, de ética e de competência, pois não são mais do que meros peões nas mãos dos atuais presidentes dos clubes, que têm interesse em manter a atual situação.
É fundamental que garantam a integridade das competições, comportamentos dignos dentro dos estádios, e uma melhor distribuição da riqueza produzida pelo futebol, pois só desta forma o futebol será mais atrativo e equilibrado.
Autor: João Gomes
Défice de governação, de transparência e de credibilidade no futebol
DM
24 fevereiro 2022